A Violência na sociedade brasileira

Agrande maioria dos brasileiros vive assustada. Não dá para afirmar se tal condição de comportamento advém realmente da violência urbana ou se da massificação de informações sensacionalistas veiculadas nos diferentes meios de comunicação do país. Seja qual for a razão verdadeira não se pode desprezar o peso de prazer dado pelo inconsciente para fazer caminhar homens e mulheres.

Meses atrás o Brasil foi envolvido em mais um desses tantos assuntos midiáticos que rodam nossas mentes : A foto de um homem com a boca esfacelada viralizou pela internet deixando a ala feminina na defensiva e apontando o homem como estuprador, malfeitor, etc. Foi um tal de “bem feito” , “bem que mereceu”, “deveria ter morrido”, em quase todas as rodas de conversas entre amigos. Um feito bastante interessante para a questão psicanalítica: Ainda que o homem seja culpado, ele merecia ter perdido a boca ? O que está acontecendo comigo (leitor) quando simplesmente defendo quem cometeu um ato dessa natureza ?

Freud, no livro Mal Estar da Civilização, ressalta que uma sociedade não tem como viver sem conflito, ainda que os tempos sejam de mero crescimento econômico e de paz política. Foi assim na Europa nos anos em que durou a primeira guerra mundial (28 de julho de 1914 a 11 de novembro de 1918) e a segunda ( 01 de setembro de 1939 a 02 de setembro de 1945), bem como nos dias atuais em que o oriente médio vive alternando de território a território em massacre contra a população civil. O ser humano tem em um lado sombrio, que não o deixa nunca ficar em paz ao qual Freud deu o nome de Tânatos (morte).

Mas o que Tânatos tem a ver com a violência do Brasil e o deleite por questões que envolvem intrigas e desarmonia entre seres humanos? Tudo. Segundo Freud, esse bichinho da destruição nos impulsiona a querer viver brigando e nos ensina a gostar muito rápido de tudo que leva à morte, daí essa apreciação muito mais pelo que destrói do que pelo que constrói. É algo quase sombrio : A desgraça chama a nossa atenção e nos dá prazer!

Não é fácil mudar de vida. Contudo, mas difícil é mudar de hábito porque tal comportamento dependerá de uma ação do inconsciente. No caso de quem aprecia a desgraça o sadismo aos poucos vai se instalando na mente como um conta gotas levando o indivíduo a sentimentos de prazer quando vê cenas destrutivas como essa do homem sem a boca. É nesse sentimento confuso, ensinado dentro do lar pelos pais (brigas, traições, pancadas, xingamentos, sexo sem amor, etc ) e aperfeiçoado dia após dia nas ruas (brigas, fome, tristeza, abandono, etc ), que se desenvolve um gosto crescente pela violência urbana. É o prazer na dor, palco do sadismo.

Ninguém gosta de ser chamado de sádico. Claro, a nomenclatura em si apresenta algo de nefasta. Contudo, pouca gente sabe, que o sádico tem prazer na dor. Dor essa da qual não consegue se livrar e nem diminuir o tom. Os sádicos como mostrados nos filmes de Hollywood são poucos no meio sociedade, mas numa percentagem beirando o normal (aqueles homens de bem e da paz, sabe !), existem aos montes. Seria mentira negá-los, já que o resultado de seus desejos estão estampados nos facebooks da vida. E sabe o que é pior ? O sadismo contagia e ensina pela repetição. A mulher que sacou a boca do homem na foto poderia ter tido várias alternativas para se safar: gritar para as pessoas, bate-lo no rosto, correr para a rua, gritar fogo para atrair uma multidão, arranhá-lo no rostos, etc. Mas não o fez, preferiu arrancar um a boca do sujeito a dentadas. Já pensou se a moda pega ? Seríamos uma sociedade doentia sem precedentes na história humana. Como dito, os sádicos são poucos.

Mas será a violência um traço apenas apresentados nas tv ou nas redes sociais ? Claro, que não. Violência é todo ato empreendido sobre o EU do ser humano. Como por exemplo as citadas em algumas situações do cotidiano de milhões de pessoas de norte a sul deste enorme continente:
– Estudar um curso , seja este da natureza que for, apenas porque os pais escolheram e acham legal;
– Casar com uma pessoa apenas porque ela tem poderes econômicos;
– Comprar um objeto apenas para agradar às pessoas ao redor;
– Beber e interagir com os vizinhos encrenqueiros apenas porque é bom para a vizinhança;
– Fazer dieta para agradas ao parceiro (a);
– Estar em uma religião porque os pais querem;
– Etc e etc. São inúmeras as situações quando o ser humano é violentado por ele próprio. Isso é violência!

A noticia do homem que ficou sem boca não foi a única, antes desta uma outra mulher em Manaus fez a mesma coisa com o homem com quem andava. Já pensou essa moda pegando no Brasil ? Pois é, sabendo que essa condição é negativa não a aplauda, não a incentive e não escolha para você. Afaste-se do sadismo fazendo as melhores escolhas para sua vida.

Livre-se da violência e vá ser feliz !

No link abaixo há mais informações sobre este assunto:


Denilza Munhoz

Graduada em letras com inglês, poliglota, especialista em Metodologia do Ensino Superior, Psicanalista, hipnoterapeuta, Coach, Conferencista par grandes empresas internacionais. Viajante constante e presente em mais de 22 países onde esteve para aprender sobre o ser humano.