Chernobyl arrebata fãs no pós GOT

Com fidelidade histórica impressionante, série retrata os acontecimentos após explosão de usina nuclear

Fãs de séries são consumidores frenéticos e, muitas vezes, bastante críticos. Um dos benefícios da internet é o serviço de streaming, que acabou popularizando muitas produções que a até poucos anos atrás ficavam restritas a canais por assinatura. A HBO (assim como FOX e outras) sabe bem disso e viu a sua plataforma de streaming, HBO GO, “bombar” com a temporada final de Game of Thrones.

Bom, Game of Thrones se encerrou há duas semanas e os série maníacos nem tiveram muito tempo para ficar de luto, pois a mesma HBO já havia iniciado a transmissão de Chernobyl. A minissérie retrata (com um pouco de ficção, claro) os acontecimentos logo após a explosão na usina nuclear ocorrida na Ucrânia em abril de 1986 e, além de ser a maior catástrofe nuclear da história, que foi um dos símbolos do declínio da União Soviética.

Mesmo o quarto dos cinco episódios somente indo ao ar nesta sexta-feira (dia 31), a produção já é a mais bem avaliada da história pelo IMDB. Até o momento, sua pontuação é de 9,6, superando clássicos como Breaking Bad, Band of Brothers e Game of Thrones, todas com 9.4.

Fidelidade histórica é um dos trunfos da série. Crédito Imagem: HBO

A série é produzida em parceria pela HBO e a SKY britânica e tem ganhado elogios de todas as partes por retratar com fidelidade os desdobramentos logo após a explosão no reator nuclear, assim como as tentativas do governo soviético de abafar o caso. As cenas são tensas, quase uma coisa de terror, e mostram como vidas foram sacrificadas para tentar consertar algo desastroso que foi se mostrando estar muito além do esperado. A fidelidade histórica e os confrontos humanos são o que a série traz de melhor, por mais que existam adaptações para fins dramáticos.

O criador da série, Craig Mazin, revelou que para escrever o roteiro, que se iniciou em 2015, leu o livro “Vozes de Tchernóbil”, escrito pela ganhadora do Nobel de literatura Svetlana Aleksiévitch, além te ter consultado documentos da Agência Internacional de Energia Atômica e inúmeros relatórios científicos. Ele também visitou Pripyat, a cidade construída para alojar as famílias dos trabalhadores da usina. Desde a explosão, Pripyat está abandonada e hoje é cidade fantasma.

Claro que nem tudo são flores e a série tem falhas, como aponta o crítico do New York Times, Mick Hale. Ele chama a atenção, principalmente, pela série insistir na criação do estereótipo do soviético como camponês estoico, além de criticar a forma como a presença feminina é inserida na série, criando uma personagem fictícia e deixando de fora a arquiteta Maria Protsenko, que na vida real projetou Pripyat.

A série, apesar de retratar a União Soviética, é toda falada em inglês e vai ao ar às sextas-feiras às 21h na HBO e na HBO GO. Vale a pena, principalmente por reacender os debates sobre as usinas nucleares, tão em alta novamente e na mão de governos pouco sóbrios, como era, então, a URSS.


André Gobi

Historiador pela UNESP, especialista em Jornalismo Científico pela UNICAMP. Foi editor e jornalista de publicações voltadas para ciência e tecnologia. É um dos sócios na Pau a Pique Produções, produtora de documentários.