Empresário Wesley Batista é denunciado por uso de informação privilegiada

O acusado teria aproveitado a divulgação de delação premiada para lucrar com operações cambiais em 2017

O empresário Wesley Batista, ex-executivo do Grupo J&F, foi denunciado mais uma vez pelo Ministério Público Federal (MPF). A denúncia foi publicada nesta terça-feira (7) e acusa o empresário de usar informações privilegiadas para ganhar com o mercado financeiro, crime conhecido como Insider Trading.

De acordo com o MPF, Batista teria comandado diversas operações cambiais de duas de suas empresas, a Seara Alimentos e a Eldorado Celulose, em maio de 2017, justamente quando firmou acordo sigiloso de delação premiada junto com o irmão Joesley Batista.

Segundo uma das autoras da denúncia, a Procuradora da República Thaméa Danelon, logo após a publicidade das delações, o dólar teve uma alta expressiva, o que teria resultado em quase R$ 70 milhões a Wesley Batista, a partir dos contratos com a moeda americana negociados poucos dias antes.

“Sabedor dos impactos que tais informações causariam na economia do país, Wesley resolveu se beneficiar financeiramente da instabilidade econômica que seria ocasionada com a divulgação dos termos da colaboração premiada e das provas apresentadas”, destacou a procuradora.

Embasamento

Além dos relatórios da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Procuradoria-Geral da República (PGR), o MPF tem nos autos da denúncia mensagens de texto trocadas entre Wesley Batista e funcionários, comprovando que ele teria sido de fato o mandante das operações. As mensagens foram analisadas a partir da apreensão do celular do empresário.

Como efeito da publicação das informações, a cotação do dólar futuro teve alta de 9% no dia 18 de maio de 2017, a maior elevação diária registrada em 14 anos. “Forma-se a convicção de que as operações com derivativos cambiais por ambas as empresas não visavam à proteção da exposição para pagamentos de passivos ou recebimentos em dólares americanos em datas futuras, mas, de modo diverso, foram utilizadas para especulação sobre o preço da moeda em data futura com vistas a auferir lucro no curto prazo”, concluiu o parecer técnico elaborado pela Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise da PGR.

Reincidência

Não é a primeira vez que Wesley é acusado de se beneficiar financeiramente com uso de informações privilegiadas. Ele e o irmão, Joesley Batista, respondem também a outra ação penal de Insider Trading, referente aos ganhos ilícitos obtidos com a venda e recompra de ações da JBS e com negociações de outros contratos pagos com dólar no mesmo período.


Gustavo Frasão

Gustavo Frasão é jornalista formado há dez anos, mas atua na área desde 2004, quando iniciou o curso. Possui especialização em Edição/Revisão de Textos, Jornalismo Digital e Marketing Digital. Passou por veículos como Rede Record, Correio Braziliense, Globo e Portal R7. Especialista nas editorias de Saúde, Meio Ambiente, Política e Cidades.