Gaza, um local calado pelo mundo

Os conflitos se intensificaram na região, neste ultimo domingo(5), após o aumento de restrições de Israel na faixa de Gaza e conflitos entre soldados israelenses e palestinos. Em resposta, Israel bombardeou Gaza, e Hammas (elegido democraticamente pelo povo) lançou centenas de mísseis no território israelense, matando 4 pessoas, já o bombardeio de Israel, matou 23 palestinos, entre eles, uma mulher grávida e uma criança de 1 ano.

Morador filma bombardeio israelense na faixa de gaza

A faixa de Gaza, corresponde a um território de 41 quilômetros, é chamada de “faixa”, pois de largura possui apenas cerca de 10 quilômetros. Faz fronteira com Egito e Israel, e é um dos territórios mais populosos do mundo, com cerca de 2 milhões de habitantes, em uma área tão pequena.

Segundo ao escritório das nações unidas de Coordenação de Assuntos humanitários (OCHA), a população palestina vem sofrendo forte bloqueio israelense.

“Não há água suficiente, não há indústrias, há escassez de alimentos, materiais de construção, remédios, entre outros”.

Ainda a OCHA informou que “os efeitos de três anos de rigoroso bloqueio impediram uma melhora significativa nos meios de subsistência e apelaram para Israel abolir completamente o bloqueio. E principalmente acabar com a proibição geral sobre o movimento de pessoas entre Gaza e a Cisjordânia. Com o objetivo de cumprir com as obrigações humanitárias internacionais e de direitos humanos.”

Apesar de tantas violações dos direitos humanos que sofre a população civil de Gaza, jornais do mundo inteiro, noticiam focando parcialmente as vítimas em Israel, usando basicamente fontes israelenses.

Gaza com certeza, é um local, onde as vítimas morrem caladas. Em 2014 mais de 400 crianças morreram na última ofensiva israelense. O que Matthey Brubacher, que trabalha em diversas missões das Nações Unidas as chamou de “crianças invisíveis”.

O “muro de segurança” que o governo israelense construiu é uma muralha três vezes mais alta e duas vezes mais larga do que o muro de Berlim – que a Alemanha Oriental chamava de “muro da paz” e a Alemanha Ocidental, de “muro da vergonha”, afirmou Matthey.

O Novo “muro da vergonha”, assim chamado por ele, “…é uma barreira onde ninguém passa sem autorização israelense, uma prisão a céu aberto, que infelizmente tem a aceitação ocidental, que ao mesmo tempo se pronuncia tão a favor da liberdade e democracia.”


Chadia Kobeissi

Jornalista formada no Líbano, em Beirute, com diploma revalidado pela USP e especialização em Civilização Árabe-Islâmica. Trabalhou como Correspondente Internacional para a Rfi, "Rádio França Internacional", que transmite também para a CBN do Brasil. Fundadora da Gazeta de Beirute, e autora do livro Estado Anti-Islâmico. Teve experiências incríveis em seus 8 anos de Oriente Médio, entendendo e desmistificando para o Ocidente, este outro lado do mundo.