Irmã Dulce será a primeira mulher nascida no Brasil, a ser proclamada Santa

Nesta última terça-feira (14), segundo o “Vatican News”, canal oficial de comunicados do Vaticano, Irmã Dulce, nascida na Bahia, e conhecida como “O anjo bom da Bahia”, será proclamada santa, após um segundo milagre ter ocorrido através dela.

Uma pessoa teria dormido cega, e acordado enxergando. Segundo fontes de sua Associação que acolhe e atende gratuitamente doentes de toda Bahia.

O primeiro milagre que a levou a beatificação, ocorreu em 2001, e trata-se de uma mulher que sofreu três cirurgias e uma hemorragia que não cessava, mas que parou subitamente sem intervenção médica.

Processo de Canonização

Para igreja considerar uma pessoa como santa, ela tem que ter realizado pelo menos dois milagres, ser algo que realmente a ciência não explica, acontecer logo após a oração, e ser duradouro.

Sua vida

Maria Rita de Souza, o nome de Batismo de Irmã Dulce, nasceu em 1914, e teve uma vida de luta ao lado dos necessitados e doentes. Ainda muito jovem, com 13 anos, fez de sua própria casa, abrigo para mendigos e doentes. Seu lar era refúgio para muitas pessoas que batiam em sua porta.

Em 1933, entrou no Convento de Nossa Senhora de Carmo e três anos mais tarde, fundou a primeira organização operária católica, que ajudava os trabalhadores doentes.

Mas um dos fatos mais marcantes de sua jornada, foi em 1939, quando a beata invadiu 5 casas abandonadas para abrigar os pobres e doentes que recolhia em Salvador. No entanto, expulsa dessas moradias, ela leva com ela seus doentes e busca durante dez anos, em várias cidades, ajuda para serem atendidos.

Irmã Dulce, em 1949, supera seus próprios , e resolve ocupar um galinheiro ao lado do Convento Santo Antônio com autorização dos superiores, que logo de inicio já foi abrigo para 70 doentes.

Dez anos depois é instalado oficialmente a “Associação Obras Sociais Irmã Dulce” (Osid), que é um dos maiores complexos de saúde com atendimento 100% gratuito no Brasil, onde milhões de pessoas são atendidas anualmente. Uma caridade que dura após sua morte.

Irmã Dulce faleceu em 1992, segundo ao Vaticano dois milagres ocorreram através dela, mas na verdade, com seus atos, ela fez “milagre” na vida de muita gente.


Chadia Kobeissi

Jornalista formada no Líbano, em Beirute, com diploma revalidado pela USP e especialização em Civilização Árabe-Islâmica. Trabalhou como Correspondente Internacional para a Rfi, "Rádio França Internacional", que transmite também para a CBN do Brasil. Fundadora da Gazeta de Beirute, e autora do livro Estado Anti-Islâmico. Teve experiências incríveis em seus 8 anos de Oriente Médio, entendendo e desmistificando para o Ocidente, este outro lado do mundo.