Polícia Civil do DF prende quadrilha de traficantes que usavam até fuzil de ouro

Acusados vendiam centenas de quilos de cocaína mensalmente e armamento pesado para o DF e facções criminosas do RJ

A Polícia Civil do Distrito Federal desmantelou nesta terça-feira (7) três quadrilhas especializadas no tráfico de drogas sintéticas e de armas de fogo pesadas. Ao todo, 102 policiais cumprem, ao longo do dia, 11 mandados de prisão e 17 de busca e apreensão em seis cidades do Distro Federal, além de Goiás e Paraná, onde um dos acusados tinha dois fuzis banhados a ouro. A ação foi batizada de “Operação Sem Fronteiras” e é coordenada pela 5ª DP, responsável pelos trabalhos na área central da capital federal.

De acordo com a Polícia Civil do DF, a ação é resultado de dois anos de investigação, que conseguiu mapear a produção das quadrilhas que enviavam, mensalmente, 10kg de cocaína para o Distrito Federal e 90kg para o Rio de Janeiro, além de armas de grosso calibre, muitas de uso restrito das Forças Armadas. Os trabalhos são um desdobramento de outra ação da Polícia Civil, batizada de Operação Delivery, deflagrada em 6 de fevereiro do ano passado, que resultou na prisão de 24 suspeitos envolvidos com o tráfico de drogas.

Um dos cabeças da quadrilha era especializado na venda de fuzis para facções criminosas do Rio de Janeiro e estava em Foz do Iguaçu (PR). A prisão do suspeito aconteceu em uma casa anexa a um lava-jato onde o acusada mora. No celular do criminoso, também apreendido, os investigadores encontraram vários vídeos em que o homem ostenta armas de grosso calibre, inclusive os dois fuzis banhados a ouro.

Drogas Sintéticas

Outra quadrilha desmantelada na ação era especializada no tráfico de drogas sintéticas para usuários com alto poder aquisitivo. Um dos líderes desse “braço” da quadrilha foi preso em casa, na região administrativa de Águas Claras, bairro nobre de Brasília. O suspeito literalmente produzia os entorpecentes em casa, após ter aprendido técnicas para “cozinhar” drogas durante uma viagem à Califórnia, nos Estados Unidos.

Entre as substâncias produzidas pelo acusado está o cristal, entorpecente derivado da metanfetamina, conhecida por traficiantes e usuários como MD. A droga ainda é rara no Distrito Federal e o suspeito seria um dos poucos fabricantes existentes na capital do país.

Haxixe e Maconha

O terceiro grupo desarticulado pela PCDF também faturava alto com a venda de drogas geneticamente modificadas, como é o caso da maconha gourmet. Imagens que estavam no celular dos criminosos mostram como o grupo negociava. Eles pesavam os carregamentos, fotografavam e enviavam as imagens para os compradores por um aplicativo de celular.

As apurações policiais apontam que apenas um grupo seleto de usuários tem acesso a esse tipo de maconha, tendo em vista que uma pequena porção chega a custar R$ 1,4 mil. Ao contrário do produto vendido nas ruas e em bocas de fumo, as substâncias gourmet são negociadas em rodas de amigos, voltadas para pessoas com alto poder aquisitivo.

A diversidade oferecida pelos traficantes elevavam o valor do produto. Um deles fotografou grandes tijolos de haxixe – subproduto potencializado da maconha – de sabor uva e origem afegã, considerado um dos mais fortes, raros e caros do mercado da droga.


Gustavo Frasão

Gustavo Frasão é jornalista formado há dez anos, mas atua na área desde 2004, quando iniciou o curso. Possui especialização em Edição/Revisão de Textos, Jornalismo Digital e Marketing Digital. Passou por veículos como Rede Record, Correio Braziliense, Globo e Portal R7. Especialista nas editorias de Saúde, Meio Ambiente, Política e Cidades.