Ramadan se inicia e muçulmanos do mundo inteiro fazem jejum

Foto: Muçulmanos no momento do desjejum na China/EPA

Nesta semana, se iniciou o mês sagrado para os muçulmanos, conhecido como Ramadan. Nesta época os seguidores do Islamismo, cerca de 25% da população mundial, fazem o jejum.

Durante o período do jejum que dura um mês, os muçulmanos, ficam sem beber, comer, ou ter relações sexuais, desde o nascer até o pôr do Sol. Crianças, doentes e viajantes não precisam fazer o jejum.

“Ó fiéis, está-vos prescrito o jejum, tal como foi prescrito a vossos antepassados, para que temais a Deus… O mês do Ramadã foi o mês em que foi revelado o Alcorão, orientação para a humanidade e vidência de orientação e Discernimento. Por conseguinte, quem de vós, presenciar o novilúnio deste mês, deverá jejuar; porém, quem se achar enfermo ou em viagem jejuará, depois, o mesmo número de dias. Deus vos deseja a comodidade, e não a dificuldade; mas cumpri o número de dias e glorificai a Deus, por ter-vos orientado, a fim de que (Lhe) agradeçais”.  Versículo do Alcorão

Comunidades islâmicas em diversos locais do mundo já iniciaram os preparativos para o Ramadan. Geralmente em mesquitas, ou centros religiosos, eles se encontram para a realização de muitas orações e o desjejum.

E assim como no Natal, em muitos países, as pessoas se reúnem, enfeitam suas casas, fazem uma comida caprichada e no seu final trocam presentes.

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Para os muçulmanos o Ramadan ensina o controle do ego, e a sensação da fome e da sede na própria pele, faz com que sintam o que passam os mais necessitados.

O estudante brasileiro Dimerson Machado, convertido ao Islam, explica um pouco sobre o significado do Ramadan:

“O Ramadan para mim é um período de introspecção e proximidade com Deus. Essa proximidade não é no sentido físico pois sentimos e experenciamos que Deus está sempre conosco, mas o apego a esse mundo material faz com que nós não percebamos essa presença divina. O jejum tem papel fundamental nesse desapego e deve ser visto desse modo: como um meio de nos aproximarmos de Deus, não como um peso ou privação. Do mesmo modo que quando fazemos a oração nos esquecemos desse mundo ao dizer “Allahu Akbar (Deus é maior)” e nos focamos apenas em Deus, quando fazemos o jejum pensamos apenas em sentir a presença divina. Em resumo, o Ramadan para mim é um período para buscar o aperfeiçoamento espiritual e nos lembrarmos que fomos criados para a eternidade com Deus.”

Tamara Correia, também brasileira e convertida diz:

“O mês do Ramadan pra mim é um mês de extrema adoração e autorreflexão, no qual eu observo os pontos da minha vida em que preciso progredir, e os que preciso observar para não errar novamente, é um mês muito sagrado pra mim pois ao completar o Ramadan sinto minha alma purificada e renovada cheia de bênçãos de Allah.”

No final do mês, há uma celebração, oração e a doação do Zakat (caridade) para os necessitados, um dos pilares do Islamismo.


Chadia Kobeissi

Jornalista formada no Líbano, em Beirute, com diploma revalidado pela USP e especialização em Civilização Árabe-Islâmica. Trabalhou como Correspondente Internacional para a Rfi, "Rádio França Internacional", que transmite também para a CBN do Brasil. Fundadora da Gazeta de Beirute, e autora do livro Estado Anti-Islâmico. Teve experiências incríveis em seus 8 anos de Oriente Médio, entendendo e desmistificando para o Ocidente, este outro lado do mundo.