Somente 8% das pessoas com deficiência julgam que cidades oferecem qualidade de vida

A Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPED) da Prefeitura de São Paulo e a agência de pesquisa de mercado e inteligência Hello Research desenvolveram a pesquisa Smart Cities – primeira pesquisa digital 100% acessível do país, entre outubro e novembro de 2018. O trabalho foi realizado com 1630 pessoas com o objetivo de entender o cenário brasileiro com relação às cidades onde esses cidadãos  vivem. Dos entrevistados 222 possuíam ou eram familiares de alguém com algum tipo de deficiência.

Apenas 8% dos entrevistados julgam que a suas cidades possuem o necessário para que tenham qualidade de vida. Quando perguntados se encontram dificuldades para circular pelas calçadas das cidades, 89% apontam buracos e irregularidades como o principal problema, seguido de degraus e desníveis (75%). Sobre o transporte público, 63% disseram ter problemas com profissionais despreparados para lidar com pessoa com deficiência (PCD). A pesquisa também investigou se existem opções de lazer para PCD nas cidades: apenas 15% concordaram com a afirmação.

“Muitos problemas são apontados pelos entrevistados, sinalizando que as cidades precisam se preparar melhor para os habitantes com deficiência. Há problemas estruturais como nas calçadas, transporte público sem adaptação, escassez de vagas, falta de acessibilidade. Também há carência na qualidade de vida”, diz Davi Bertoncello, diretor da Hello Research.

Ao serem perguntados sobre o que a cidade poderia fazer para ajudar as pessoas com deficiência, 26% julgou que seria de extrema importância regularizar vias públicas e calçadas e 14% adequar o transporte público. Ainda sobre transportes, 21% dirigem carro adaptado, mas para 41% o alto valor do veículo se torna um impeditivo enquanto para 24% a burocracia é o principal motivo para não adquirirem um veículo acessível. Ainda que Pessoas com Deficiência tenham direito a isenção de impostos para veículos, para 6% dos entrevistados, o processo de documentação é a principal dificuldade.

Além da péssima avaliação na mobilidade, 93% dos entrevistados acessam a internet e 54% declarou ter alguma dificuldade de acessibilidade para navegar. Entre os 64% que fazem transações bancárias, 36% encontram algum tipo de dificuldade. Dos 79% que leem sites de notícias, 36% também encontra algum tipo de dificuldade.

Na contramão da dificuldade da mobilidade, 79% disse utilizar aplicativos de taxi, como Uber, 99 e Cabify, e 89% declarou não ter nenhuma dificuldade para utilizar os aplicativos.

As lojas de e-commerce também precisam estar atentas ao potencial do PCD como consumidor, segundo o estudo. 66% disseram realizar compras pela internet e 28% tem algum tipo de dificuldade relacionada. “Nesse sentido as marcas não têm só um problema técnico, mas um problema muito maior por negligenciar um público com alto poder de compra”, conta Bertoncello. 


Keyla Assunção

Jornalista formada há 19 anos, mas atua na área desde 1997. Possui agência de assessoria de imprensa e comunicação e escreve sobre inclusão. No portal VivaBem (UOL) é repórter de Alimentação.