Subcomandante brasileiro atualiza sobre Operação Moçambique

Capitão Kleber

Após o ciclone Idai ter devastado boa parte da costa de Moçambique, matando mais de 1.000 pessoas, um outro Ciclone atingiu o Norte do país, no dia 25 de Abril. O ciclone Kenneth, fez até o momento 38 vítimas fatais, centenas de feridos e milhares de pessoas estão desabrigadas.

Bombeiros brasileiros, que inclusive atuaram na busca de salvamento em Brumadinho (MG) e em outras partes do país, estão na operação Moçambique.

Diretamente em contanto com a Rede4News, o Capitão brasileiro, Subcomandante da Operação Moçambique, Kleber S. Castro nos atualiza; Ouça na íntegra.

Capitao Kleber, eu sou o subcomandante da Operacao Mocambique, aqui em Mocambique. Saímos do Brasil dia 29 de março, chegamos em Beira, Moçambique, no dia primeiro de Abril. Trabalhamos muito no efeito do cliclone Idai. Ficamos lá até dia 26.

Dia 27 viemos para Pemba pra trabalhar, nos efeitos do Ciclone Kenneth. Estamos aqui até hoje em Pemba, também trabalhando nos efeitos do ciclone Kenneth.

Somos 20 bombeiros, todos especialistas, em gestão e operação de desastres, 19 do Batalhão de Emergência Ambiental (Bemad). Um do batalhão de operações aéreas, sou eu. Somo 20 bombeiros de Minas Gerais.

Em Beira, as ações principais foram de ajuda humanitária, tentando trazer a vida normal para as pessoas que sobreviveram ao ciclone Idai, então levamos comida, água, remédio, apoiando outras agencias sob a coordenação da ONU e INGC, Isntituto Nacional de Gestão de Calamidades de Moçambique, equivalente a defesa civil; fizemos desobstrução de estradas, levamos óleo diesel para estacão de bombeamento de água potável, subimos ai, montamos tendas para pessoas dormir em abrigos comunitários, e montamos tendas que serviriam como hospitais e postos de saúde temporários.

Tudo para tentar dar um conforto às pessoas que sobreviveram, e tentam trazer a sua vida à normalidade.

Números oficiais: somos 20 bombeiros, viemos para ficar 20 dias, e graças ao nosso trabalho, a ONU pediu uma extensão para mais 20 dias.

Salvaram mais de 100 pessoas em uma só missão.

Cap. Kleber

Atendemos, um, o ciclone Idai, depois aconteceu o segundo ciclone, o Kenneth, também atendemos o ciclone Kenneth; lá no ciclone Idai, todo dia havia pelo menos três equipes em campo trabalhando, aqui no ciclone Kenneth, como foi busca e salvamento de pessoas, a gente montou três equipes também, depois juntamos para duas equipes, salvaram mais de 100 pessoas em uma só missão, então também houve essa atuação operacional finalística dos bombeiros aqui em Pemba.

Eu acho que a felicidade nossa de colaborar com os irmãos moçambicanos, e a importancia saber que toda vida importa, em todos os lugares. Acho que a gente conseguiu ajudar muito eles, e inspirar muito os bombeiros aqui, que é um bombeiro que só faz combate a incêndio, então a gente espera que eles se inspirem e evoluam, pra poder fazer também outros tipos de missões, como busca e salvamento e defesa civil.

A diferença entre trabalhar no Brasil e trabalhar aqui, é que aqui a forma de gestão é muito burocrática, então no Brasil, além de (outra diferença importante) nós possuirmos muitos meios (só o corpo de bombeiros possuí um avião e 5 helicópteros, isso só em Minas Gerais). Então aqui não se consegue um helicóptero não consegue um avião com menos de alguns dias de antecedência. Alguns conseguem um carro emprestado. A gente trouxe os nossos carros, no avião Hércules, do Brasil, mas não consegue um carro extra, a gente não consegue material extra, eles não conseguem definir quais são as prioridades, demoram a definir quais são as prioridades, demora-se a ajustar onde há necessidade de emprego operacional.

A diferença de, especialmente Mariana e Brumadinho, é que aqui é uma fase de pós evento, com algum tempo, como o ciclone Idai, mas o Kenneth é igual, alagamento é igual, soterramento é igual, as pessoas que moram em áreas vulneráveis, pessoas que não tem informação da importância de sair e salvar suas próprias vidas, então também tem essa parte igual.


Chadia Kobeissi

Jornalista formada no Líbano, em Beirute, com diploma revalidado pela USP e especialização em Civilização Árabe-Islâmica. Trabalhou como Correspondente Internacional para a Rfi, "Rádio França Internacional", que transmite também para a CBN do Brasil. Fundadora da Gazeta de Beirute, e autora do livro Estado Anti-Islâmico. Teve experiências incríveis em seus 8 anos de Oriente Médio, entendendo e desmistificando para o Ocidente, este outro lado do mundo.