Textos de Jorge Andrade são lidos em ciclo de leituras do Teatro da USP

Imagem: acervo Museu Paulista

O Teatro da USP (TUSP) realiza até 13 de julho o 21º ciclo do programa TUSP de Leituras Públicas. A iniciativa gratuita traz peças de diferentes autores, que são lidas pelo público em encontros gratuitos mediados pela equipe artística do teatro. Neste ciclo serão lidos alguns dos textos do dramaturgo paulista Jorge Andrade. O projeto, realizado quinzenalmente aos sábados, às 17 horas, é aberto ao público, mesmo sem vinculo com a USP.

Jorge Andrade é um nome central do teatro brasileiro e um dos esteios da modernização de nossa dramaturgia no séc. XX. Suas peças retratam o percurso do homem brasileiro ao longo da aventura de construção do país, particularmente no estado de São Paulo, sem deixar de lado a investigação das subjetividades dos envolvidos em cada um dos momentos iluminados em suas obras.

Programação

01 junho |  O Mundo Composto (1972) | Convidado: Fillipe Mauro

Peça inédita em que Jorge Andrade retrata a miséria criada por um sistema social que, se para as classes dominantes soa como um paraíso perdido, para os trabalhadores trata-se de um verdadeiro inferno. A dramaturgia foi escrita a partir do estímulo de uma matéria escrita por Jorge Andrade para a revista Realidade.

Fillipe Mauro é pesquisador do Departamento de Letras Modernas da FFLCH, possui graduação em jornalismo (2014) pela ECA e é mestre e doutorando em literatura francesa. Foi repórter no portal Opera Mundi (2011-2012), na revista Época (2013-2014) e colaborador do jornal Folha de S. Paulo. Dedica-se ao estudo da influência de Marcel Proust sobre autores memorialistas brasileiros, como Jorge Andrade, Pedro Nava e Cyro dos Anjos. Também se interessa pela presença do estilo proustiano em textos da imprensa brasileira, tal como nos retratos literários e perfis jornalísticos escritos por Jorge Andrade.

15 junho | A Receita (1968)

Texto curto de Jorge Andrade criado para integrar a primeira Feira Paulista de Opinião, em 1968, encenada com direção de Augusto Boal. Um médico recém-formado depara-se com o real desespero de uma família para a salvação do filho, conflitando a precariedade do exercício de sua função e a empatia pelos oprimidos. Tendo por mote uma pergunta lançada aos artistas: “O que pensa você do Brasil de hoje?”, a Feira Paulista de Opiniãocolocou-se como emblemático ato artístico de resistência à ditadura.

29 junho | Os Ossos do Barão (1962)

Um dos textos do ciclo “Marta, a árvore e o relógio”, a peça foi encenada inicialmente pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Retrata o contexto das mudanças socioeconômicas do país após a crise financeira de 1929, como o processo de industrialização, declínio de poder de muitos fazendeiros e barões de café e a ascensão social dos imigrantes. Seu protagonista, Egisto Ghirotto, é um imigrante italiano que fez fortuna, mas que não se sente satisfeito pois, apesar de sua posição social, não possui título de nobreza. Em 1973, o autor adaptou a peça para a televisão, incluindo elementos de outro texto, A Escada. O resultado foi uma telenovela de enorme repercussão nacional.

13 julho | Rasto Atrás (1965) | Convidado: Carlos Gontijo Rosa

Jorge Andrade reapresenta um argumento frequente em sua obra e que aqui toma o eixo central. Retornando à terra natal no interior do estado, um escritor revisita sua história e a de sua família, mergulhando no emaranhado da memória. Enquanto seu pai aspira para ele uma vida associada à terra e à cultura rústica, o garoto Vicente apega-se aos livros e à cultura erudita, o que o afasta do pai. Pela peça, Jorge recebeu o prêmio de melhor autor do Serviço Nacional de Teatro (SNT).

Carlos Gontijo Rosa é bacharel e mestre pela UNICAMP. Atuou como Professor na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e na Universidade Nacional Timor-Lorosa’e. Foi Investigador do Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em Portugal, pela Fundação Calouste Gulbenkian e Investigador do Instituto del Teatro de Madrid pela FAPESP, como parte do seu atual curso de doutoramento na FFLCH.


Sandra Lima

Jornalista há 28 anos, atua com comunicação corporativa, e escreve sobre cultura, saúde, meio-ambiente, educação, ciência e tecnologia e responsabilidade social. Mestre em cinema e educação, adora conversar, ir ao cinema, escutar música e admirar a natureza. Sugestões de pauta - pauta.rede4news@gmail.com