A ansiedade bate à porta

É cedo e seu José amanhece o dia com uma inquietação de fim de mundo, parecendo que está a escapar de algo assustador tal como se estivesse vendo um fantasma do porte de Hitler, recém regresso do túmulo para implantar uma nova guerra. Dona Maria, sua esposa há trinta anos, está preocupada: – que é isso José, que tu tem homem ? Dona Maria, não aguenta mais… é hora de levar José a um especialista, já que as noites trocaram de lugar com os dias e a vida para ambos tem se tornado bastante difícil; José não diz mais uma palavra sem se irritar e envolver a casa e a vizinhança nos conflitos pessoais.

A realidade de José, morador do bairro da Paz, localizado na periferia de Salvador, não é lá tão díspar da de outros moradores em outras cidades deste gigantesco Brasil; A situação se assemelha ao dos demais pelo fato de José ser humano, sujeito a doenças diversas tão comuns ao homem moderno, sendo a principal delas a ansiedade.

A ansiedade é o mal das cidades modernas na qual o homem já não consegue ficar em paz com o que tem: casa, pares, trabalho. Tem como sintoma principal um pensamento acelerado, em um futuro distante para a frente no tempo e dentro de uma realidade que não aconteceu ainda e talvez nunca acontecerá. Mas, justamente por não ter acontecido joga com o ansioso por emoções bastante inquietantes: calafrios, taquicardia (aceleramento do coração), palpitações, sussurros, arrepios, etc. Tais sintomas podem evoluir ao ponto de tirar o sono do ansioso, deixando como resultado um corpo dilacerado, exausto e inoperante para convivência com outros indivíduos. E tal estresse nessa inconstante subida e descida no físico (estresse) sim, pode levar à morte.

Mas se tal condição pode levar a morte porque então não dar atenção ? Porque a ansiedade não é vista tal como uma outra doença. É uma doença da mente, trabalha no silêncio e na escuridão. Se fosse uma ferida em algum ponto do corpo seria logo visível; se fosse uma dor seria tão logo fácil de ser identificada, mas um sono mal tirado, uma atuação irritável no cotidiano, quem vai prestar crédito ? Só mesmo a família, pela angústia nas relações do dia ou os amigos do trabalho pela interferência nos resultados dos negócios. É um lado ou outro desta complicada teia de relações, que pode levar o indivíduo para o encontro com o profissional adequado.

Muitas vezes a ansiedade leva à morte em comorbidade a doenças bem sérias, tais como câncer, contudo, pode se apresentar vestida de mocinha em diversas apresentações do dia-a-dia, tais como: crises de pânico, insônia, depressões, transtornos de agorafobia, etc. Apesar de usar diversas máscaras, é passível sim de tratamento.

A ansiedade muitas vezes é vista com descaso, justamente por não apresentar uma ferida externa e o mundo ao redor te-la relacionado com afazeres demais e atitudes de menos. Contudo, está na hora de encará-la de frente para que seja possível parar os óbitos, que muitas vezes julgamos terem acontecido por acidente: ex. mortes no trânsito. Quem garante, que o motorista dormiu bem à noite toda ? Quem garante, que não estava sob efeitos de medicamentos ansiolíticos ? etc, etc.

A ansiedade se veste de mocinha, mas na verdade é uma loba experiente, portanto é necessário dar bastante atenção quando esta se apresenta nas rodas sociais a começar por sua casa. Comece a olhar as pessoas de sua família com atenção dobrada e amor quando continuamente citarem as noites acordadas ou então, rotineiramente reclamarem de dores de cabeça ou corpo. Leve-as a um profissional para exames. Não deixe para o amanhã quando a doença vier lhe tomar de surpresa esta vida e tudo poderá ser mais urgente e caro. A vida é uma dádiva, deve ser tratada com o máximo de zelo.

Para mais sobre ansiedade veja o vídeo abaixo:


Denilza Munhoz

Graduada em letras com inglês, poliglota, especialista em Metodologia do Ensino Superior, Psicanalista, hipnoterapeuta, Coach, Conferencista par grandes empresas internacionais. Viajante constante e presente em mais de 22 países onde esteve para aprender sobre o ser humano.