A Bolsa de Valores finalmente deslanchou?

Gibran Estephan, diretor da TG Core

Especialistas apontam a falta de educação financeira e cultura de baixo retorno como principal empecilho para o mercado de ações no Brasil

A Bolsa de Valores (B3) atingiu neste ano a marca de 1 milhão de investidores, número histórico se considerar que na última década a média girava em torno de 500 mil. Apesar de estar muito aquém do número de aplicadores de outros países, como Estados Unidos, onde mais da metade da população investe em renda variável, e Europa onde a proporção de investidores está em 20%, a marca é uma vitória considerando a concorrência que a B3 possui hoje.

Se em 2000, quando a meta da Bolsa de Valores era chegar a 5 milhões de investidores em 10 anos, o número de aplicativos ainda era pequeno e os tutoriais na internet começavam a se popularizar, hoje as exchanges de criptomoedas ganham cada vez mais adeptos.

Além disso, o número de pessoas físicas na Bolsa só deslanchou após a queda da taxa básica de juros (Selic), o que tornou as aplicações tradicionais de renda fixa, como a poupança, menos atraentes. A taxa Selic hoje está em 6,5% e rende juros mínimos para aplicações mais conservadoras. O diretor da gestora independente de fundos de investimento TG Core, Gibran Estephan, comenta que Isso está fazendo as pessoas saírem da zona de conforto e se arriscarem em aplicações um pouco mais agressivas.

O diretor destaca que, com as baixas taxas na Renda Fixa, naturalmente há um “rali” para ativos que rendem mais, como ações e criptomoedas. Porém, continua o executivo, é importante lembrar que esse ganho maior sempre vem acompanhado por uma certa dose de risco.

Para o gestor é preciso ter cuidado com investimentos que oferecem ganhos milagrosos. “As criptomoedas não devem ser encaradas como uma aplicação. Apesar do ciclo especulativo que este mercado está inserido atualmente, ele é apenas uma tecnologia de transferência de valores por meio da internet. Não é uma empresa, não gera lucro, não gera riqueza e nem pode ser visto como uma reserva em outra moeda, devido ao risco liquidez”, pondera.

Estephan aponta que o número de investidores na Bolsa de Valores tem potencial de crescer nos próximos anos se as taxas de juros se mantiverem baixas por mais tempo, pois as pessoas estão cada vez mais interessadas em diversificar seus investimentos.

Apesar disso, a B3 não é ideal para todas as pessoas comenta o especialista. “A primeira dica sempre é: comece por investimentos menos arriscados, antes de ir para Bolsa, aplique em um fundo de Ações, por exemplo, e veja se você tem ‘coração’ para volatilidade. Caso ache que sim, estude e faça um curso de introdução à bolsa, e se finalmente decidir comprar ações, comece pelas com as empresas tradicionais no mercado, as chamadas Blue Chips”, finaliza.  


Moreira

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