Homem que revelou informações secretas dos EUA será extraditado e julgado

Foto/Reuters

Julian Assange, o jornalista australiano, que revelou diversos materiais sigilosos de operações militares dos Estados Unidos, no Iraque, Afeganistão e em outras regiões, teve sua ordem de extradição para os Estados Unidos.

O Fundador do WikiLeaks, Assange que está preso, e a ex-militar Chelsea Manning que também ficou presa por sete anos, divulgaram muitas informações do governo americano. Ele responderá a 18 processos nos Estados Unidos, entre eles: crime contra a segurança nacional e espionagem.

A audiência de extradição está marcada para esta sexta-feira e, dependendo das condições físicas do acusado, poderá ocorrer na própria prisão de Bemarsh, em Londres, onde ele se encontra detido.

Segundo ao Jornal Washington Post, os crimes podem lhe render até 170 anos de prisão.

Assange foi condenado em 1º de maio a 50 semanas de prisão por ter violado as condições de sua liberdade condicional quando se refugiou em 2012 na Embaixada do Equador em Londres, onde permaneceu por sete anos até o presidente equatoriano lhe retirar a proteção diplomática, permitindo assim, sua detenção pela polícia britânica.

Ele rejeitou a sua punição e agora, extradição, afirmando que seus atos protegeram muitas pessoas, e revelaram muitas verdades.

Para muitos, Assange é um herói, e está sendo vítima por ter revelado tantos fatos secretos, para outros, ele errou, pois colocou em risco a segurança dos Estados Unidos.

A Wikleaks ganhou notoriedade quando em 2010, publicaram um vídeo secreto do exercito americano mostrando ataques de helicópteros, onde pelo menos 12 pessoas morreram no Iraque, incluindo dois jornalistas da Agência Reuters.

Além disso, centenas de conversas, comunicações diplomáticas secretas, entre outros documentos foram expostos, gerando críticas e uma inflamação internacional contra certas atitudes do governo americano.

A WikiLeaks, uma organização sem fins lucrativos, sediada na Suécia, ainda publica em sua página, postagens por vezes de fontes anonimas, de documentos, fotos, e informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas.


Chadia Kobeissi

Jornalista formada no Líbano, em Beirute, com diploma revalidado pela USP e especialização em Civilização Árabe-Islâmica. Trabalhou como Correspondente Internacional para a Rfi, "Rádio França Internacional", que transmite também para a CBN do Brasil. Fundadora da Gazeta de Beirute, e autora do livro Estado Anti-Islâmico. Teve experiências incríveis em seus 8 anos de Oriente Médio, entendendo e desmistificando para o Ocidente, este outro lado do mundo.