Separados, Liam e Noel Gallagher lançam material novo

Temperamentais irmãos que lideraram o Oasis continuam na ativa, cada um ao seu modo

Nos anos 1990, os irmãos Liam e Noel Gallagher lideraram o Oasis (um como principal vocalista, o outro como guitarrista, compositor e também vocalista), uma das bandas mais bem-sucedidas da história do rock’ n’ roll. Ao mesmo tempo em que a banda era um furacão comercial e criativo, como é mostrado no bom filme documentário Supersonic (disponível no catálogo da Netflix), a relação dos irmãos se tornava cada vez mais difícil e espinhosa, o que resultou na dissolução da banda em 2009 de forma nada amistosa, com direito a porradaria no camarim e um laço que nunca mais se restabeleceu.

Liam continuou com os outros membros do Oasis e mal baixou a poeira fundou a Beady Eye, que lançou dois álbuns bem fraquinhos que se sustentavam na velha fórmula do Britpop, mas sem o talento do irmão mais velho na composição, a banda não vingou e encerrou as atividades em 2014.

Noel, por outro lado, lançou sua carreira solo acompanhado do High Flying Birds, sua banda de apoio que era totalmente nova, mas que agora é composta, entre outros, por Gem Archer, Chris Sharrock e Mike Rowe (os dos primeiros, ex-membros do Oasis, e o terceiro foi tecladista da banda nos anos 1990). O Gallagher mais velho cada vez mais se distancia do tipo de som que fazia com o Oasis, produzindo músicas mais experimentais, com instrumentos de sopro e backing vocals femininas. Se a aposta o coloca em maus lençóis com os fãs mais roqueiros por um lado, por outro mostra um artista inquieto em busca de constante evolução musical. Billy Corgan, líder dos Smashing Pumpkins já declarou certa vez, ainda nos anos 1990, que o rock é muito simplório e por isso sua banda estava fazendo – à época -música com uma pegada mais eletrônica. Coincidentemente os High Flying Birds e os Smashing Pumpkins sairão juntos em turnê nos próximos meses.

Os irmãos Liam e Noel Gallagher nos idos da década de 1990, época em que o Oasis atingiu seu ápice de popularidade. Crédito: The Daily Edge

Enquanto Noel lançava discos solo e saía em turnê, Liam o xingava muito no Twitter e não fazia nada de útil, até que no final de 2017 lançou o bom álbum As You Were, com algumas músicas que emplacaram e renderam uma turnê mundial, que inclusive passou pelo Brasil em 2018, com apresentação no Lollapalooza. Havia uma outra apresentação à parte em São Paulo, mas como velhos hábitos insistem em persistir, Liam ficou doente e cancelou o show. Embora o álbum tenha sido bem recebido tanto pela crítica quanto comercialmente, sofreu alfinetada de Noel, que disse não se interessar por músicas que não são compostas pelos artistas em si (o álbum foi composto junto com músicos de estúdio e produtores).

Discos novos e filme

Mas para o bem e para o mal, os irmãos resolveram ter um 2019 agitado. Noel já lançou dois singles (Black Star Dancing; Sail On) seguindo a tendência de se distanciar do rock. Já Liam lançou Shockwave, um rockão que anima se ouvido logo pela manhã a caminho do trabalho, mas não é lá grande coisa. Das três, Sail On é a melhor, com uma pegada meio Country, algo “inovador” se pensarmos no “noelrock”.

Os dois irmãos estão lançando discos novos. Noel ainda está em estúdio gravando, mas as duas músicas citadas acima já estão com vídeos no YouTube e também estão disponíveis no Spotify, junto de outras três, mas duas são variações de Black Star Dancing. Já Liam apenas lançou, até agora, a canção mencionada, mas o álbum intitulado “Why Me? Why Not?” já está sendo preparado e terá música escrita para a filha Molly, fruto de um relacionamento com a cantora Lisa Moorish ainda nos anos 90, mas que ele só veio a conhecer em 2018. A música dedicada para a filha é “Now that I’ve found you”, que ainda não foi lançada em nenhuma plataforma.

Outra grande novidade é o documentário As it Was, que narra a volta triunfal de Liam ao mundo da música. A estreia na Grã-Bretanha foi no dia 07 de junho e ainda não há previsão para o Brasil, então os fãs daqui terão que se virar para assistir. É bem possível que entre para o catálogo da Netflix, assim como Supersonic.

Sobre o filme, o músico disse: “Eu não estou fazendo isso para ser mais famoso, eu sou famoso o suficiente — você sabe o que quero dizer. Eu não estou fazendo isso pelo dinheiro. Eu entrei em uma banda porque amo música. Eu sei o quão grande eu sou e sei como sou um merda. É parte de ficar vivo cara; estar aqui, não ser uma vítima. Não deixar os bastardos te derrubarem quando todos os bastardos que estiveram sentados lá nos últimos 10 anos disserem, ‘Ih, ele definitivamente vai estar morto agora, ele vai explodir a porra do seu cérebro ou ter uma overdose de drogas.’”

Quem ganha com isso, são os fãs. Já que uma volta do Oasis é pouco provável, vale a pena aproveitar que os irmãos, mesmo que separados, continuam na ativa e fazendo coisas interessantes. Veja o trailer de As It Was abaixo.

Liam Gallagher mostra sua cruzada pessoal para voltar ao show business e se reafirmar frente ao irmão Noel, com quem dividiu as glórias (e as polêmicas) do Oasis

André Gobi

Historiador pela UNESP, especialista em Jornalismo Científico pela UNICAMP. Foi editor e jornalista de publicações voltadas para ciência e tecnologia. É um dos sócios na Pau a Pique Produções, produtora de documentários.