Sírios refugiados no Líbano são pressionados a voltar para seu país

Foto/Marwan Naamani

Mais de 1 milhão de Sírios estão refugiados no Líbano, desde que iniciou a guerra na Síria em 2011. Muitos abriram seus próprios negócios, outros foram contratados como funcionários em diversas atividades do país, competindo assim com os trabalhadores libaneses, que não ficaram muito contentes.

No Líbano há cerca de 4,5 milhões de pessoas, e agora com esse aumento na população, muitos conflitos e problemas ocorreram, especialmente no setor econômico do país.

Apesar de muitos sírios investirem no Líbano, abrindo seus próprios negócios, vários políticos e grande parte da população não está satisfeita.

Por essa razão, algumas regras foram implementadas para que possam trabalhar no Líbano, uma delas cita que se um sírio abrir uma loja, ou algum comércio, deve contratar também funcionários libaneses.

Além disso, qualquer comércio sírio que não siga exatamente essa e outras regras, está sendo fechado.

A pressão para que saiam do país é grande, e a última ação contra a permanência deles, foi a da proibição de construir residências fixas nos campos de refugiados.

Algumas organizações que lutam pelos direitos humanos, estão fazendo campanhas para que os sírios possam continuar no Líbano, pelo menos até que a situação se estabilize totalmente.

Por outro lado, muitos libaneses justificam, afirmando que a situação na Síria já está melhor.

Ali Saad, dono de um pequeno comércio em Beirute, disse que “o Líbano é um território muito pequeno, para acolher tantos refugiados”.

“Já acolhemos os sírios desde 2011, é hora de voltar para casa”, completou.

Em 2006, na guerra entre Líbano e Israel, foi a Síria que recebeu em seu vasto território, milhares de refugiados libaneses, mas que ficaram pouco mais de um mês, tempo que durou a guerra.


Chadia Kobeissi

Jornalista formada no Líbano, em Beirute, com diploma revalidado pela USP e especialização em Civilização Árabe-Islâmica. Trabalhou como Correspondente Internacional para a Rfi, "Rádio França Internacional", que transmite também para a CBN do Brasil. Fundadora da Gazeta de Beirute, e autora do livro Estado Anti-Islâmico. Teve experiências incríveis em seus 8 anos de Oriente Médio, entendendo e desmistificando para o Ocidente, este outro lado do mundo.