Aplicativo que virou febre nos últimos dias não mostra as rugas emocionais

DESGASTE  EMOCIONAL ACELERA O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO

A brincadeira de nos ver fisicamente velhos, não prevê nossa saúde emocional na velhice. O estresse em se manter eternamente jovem têm provocado alguns distúrbios e desequilíbrios emocionais. Conversamos com a da Dr. Vannessa Resende, Psicóloga e Gerontóloga, sobre os sentimentos que a pessoa tem ao ver a sua aparência envelhecida.

A autora Simone de Beauvoir afirma em seu livro, A velhice, que nós “recusamo-nos a nos reconhecer no velho que seremos”.  Com a sua revisão histórica sobre o velho na sociedade podemos entender o quanto nos causa incômodo nos imaginar velhos. Inevitavelmente, os efeitos da senescência veem para todos, mas o prazer e a paz interna em viver a vida ao longo do tempo, ter paz pela histórica que cada um construiu e ter a plenitude em ser quem você se tornou com o tempo, não é para todos.

A busca pela beleza física e pela aparência cada vez mais impecável nos distancia de quem somos, e pode nos trazer dores.  O recente aplicativo compartilhado e utilizado por todos como uma brincadeira, o FaceApp, possui uma tecnologia capaz de gerar a possível aparência no futuro. Em segundos,  temos  uma ideia de como seremos idosos. As reações diante disso são diversas. E o tema já chegou nos consultórios de psicologia.  

“Este aplicativo pode oferecer uma ideia aproximada da imagem da velhice, mas com certeza ele não leva em conta o gerenciamento emocional, as influências diversas do envelhecimento e muito menos a singularidade de cada ser humano no processo”, afirma a Dra. Vannessa Resende,  Gerontóloga e Psicóloga.

Envelhecer bem depende de um somatório de questões: estilo de vida, fatores econômicos, culturais, gênero, mas sobretudo fortalecimento do  emocional. “Vivemos emoções positivas e negativas, precisamos saber nos relacionar emocionalmente,  entender como as pessoas  nos afetam e como lidamos com isso.  O autoconhecimento, que inclui a autoconsciência das emoções, o entendimento da nossa história, e o motivo de certas escolhas, fazem parte do pacote do envelhecimento ”, afirma a doutora.

As dores e as rugas da vida emocional

Naomi Eisenberger, Ph.D. em Psicologia da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, descobriu que os circuitos neurais para a dor física e emocional se sobrepõem. Em sua pesquisa, ela demonstrou essa sobreposição de uma variedade de metodologias convergentes – comportamento, genética e neuroimagem. O estudo de Eisenberger, publicado na revista Science, avaliou a reação de voluntários à rejeição e observou que a resposta foi semelhante à da dor tradicional. Quanto mais o voluntário se sentia rejeitado, mais a área cerebral chamada córtex cingulado anterior dorsal (dACC) se ativava. A região é conhecida como parte da rede da dor no cérebro e é a mesma estimulada quando nos incomodamos com um ferimento. Sentimentos como tristeza, estresse, tensão, medo e insegurançatambém podem se manifestar no corpo.

No decorrer da vida, podemos deixar “na gaveta” sonhos e metas.  Muitos têm uma vida “plastificada”. No fundo, vivem no piloto automático e quanto menos sentido a vida tem para estas pessoas, a busca pela aparência pode aumentar. É um ciclo vicioso acrescido de outras fugas, desajustes e doenças físicas. O estresse em se manter eternamente jovem têm provocado alguns distúrbios e desequilíbrios emocionais.

Credito das fotos: Instagram