Entre críticas e elogios, programa Mais Médicos completa 6 anos

Nesta semana o programa Mais Médicos do Governo Federal completou 6 anos de vida entre críticas e elogios. Lançado pelo governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em julho de 2013 o programa tem como objetivo levar assistência médica aos lugares mais afastados do país. Chegou a levar mais de 18 mil médicos a municípios onde faltavam profissionais.
Considerado uma das boas práticas relevantes para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) o programa chegou a ser destaque em publicações das Organizações das Nações Unidas e conta com apoio da Organização Pan-Americana da saúde. Chegando a ter aprovação, em 2015, de mais de 90% da população atendida segundo pesquisa da Universidade Federal de Minas (UFMG) e o Instituto de Pesquisa Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe).
A dona de casa Maria da Conceição Luz (67) mora desde pequena em Vitória da Conquista interior da Bahia e fala sobre o que mudou depois da chegado do médicos do programa “melhorou muito, a gente demorava para ser atendida. Agora temos médicos e atendimento é muito mais rápido, isso salva vidas.”

Crítica
Mas nem só de elogios vive o programa, como parte do acordo entre o governo de Cuba e o ministério da saúde, os médicos cubanos, grande maioria no programa, recebiam apenas parte do salário pago, a outra parte ficava com o governo da ilha.
Isto gerou críticas e vários médicos cubanos entraram na justiça para receber o salário de forma integral e para ter o direito de permanecer no Brasil.

Durante campanha eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro disse que “expulsaria médicos cubanos” com base no Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida) que é uma prova feita anualmente para validar diplomas médicos de fora do Brasil.

A médica Ana Maria Lourenço trabalhou e treinou alguns médicos cubanos aqui no Brasil e afirma “infelizmente muitos vieram como tapa buraco para quem não tem nada, é uma ilusão (…). Sem o preparo necessário”.

O governo de Cuba até decidiu deixar o programa Mais médicos depois das declarações do presidente brasileiro.

Ex-presidente Dilma Rousseff no início do programa em 2013


Em fevereiro deste ano o ministro da saúde, Luiz Henrique Mendetta, havia dados sinais que o Brasil iria priorizar médicos brasileiros no programa, mas como não conseguiu preencher todas as vagas deixadas pelos profissionais cubanos, o governo mudou o discurso e já admite tentar algumas soluções para manter os médicos cubanos trabalhando por aqui.


Felipe Nascimento Cruz

Paulistano, com formação em jornalismo e publicidade. Um ex jogador de futebol que acredita que a comunicação pode mudar o mundo.