O futebol pelas lentes do VAR

Nunca mais o gol será comemorado da mesma forma, pelo menos enquanto o VAR (do inglês Video Assistant Referee) ou arbitro de vídeo, existir. Quem acompanhou na última quarta feira (17) a rodada da Copa do Brasil, viu a tecnologia ser usada em lances importantes e decisivos.

No clássico mineiro entre Atlético e Cruzeiro a raposa teve um gol anulado com a interferência do VAR. Em Salvador, Bahia e Grêmio se enfrentaram e em dois lances de possíveis pênaltis o VAR foi acionado. Mas sem dúvida o jogo mais empolgante aconteceu em Porto Alegre, com pênalti marcado e anulado, gol aos 47 do segundo tempo também anulado e no final a torcida do Internacional que comemorou o gol que daria a vitória contra o Palmeiras teve que esperar a decisão por pênaltis para selar a classificação.

O aquele quadradinho que os árbitros fazem para checar um lance na beira do campo, tem causado esperança e calafrios nas torcidas pelo mundo, mas tecnologia veio para tentar deixar o jogo mais justo.

Nas palavras de Gianni Infantino presidente da FIFA “O futebol não está mudando. O VAR está limpando o futebol, tornando o esporte mais claro do que no passado. Estamos muito felizes de ter introduzido o VAR e acho que hoje é difícil pensar numa Copa do Mundo sem ele. Certamente tem sido uma competição mais justa por causa do VAR, e isso era o que queríamos alcançar.” Disse Infantino.

A Copa do Mundo em questão é a de 2018 na Rússia, a primeira da história a usar a tecnologia, e os números mostram uma mudança significativa nas marcações. Um levantamento publicado pelo Globoesporte.com mostrou que o VAR mudou a decisão de campo do árbitro em 17 oportunidades. E em comparação a Copa de 2014 jogada aqui no Brasil (sem o árbitro de vídeo) foram 15 pênaltis a mais, além do baixo número de cartões vermelhos, apenas 4. Foram 10 expulsões aqui no Brasil.

La Mano de Dios

Gol de mão de Maradona contra a Inglaterra durante a Copa de 1986 no México

A última competição de destaque mundial que teve críticas e elogios ao VAR foi a Copa América também jogada no Brasil. Título brasileiro a parte, houve muita reclamação sobre os critérios no uso árbitro de vídeo, ao ponto do craque argentino Lionel Messi fazer duras críticas “Brasil campeão? Creio que não haja dúvida. Lamentavelmente creio que está armada para O Brasil. Tomara que os árbitros e o VAR não interfiram e que o Peru (adversário do Brasil na final) possa competir porque tem time pra isso, mas vai ser difícil. Completou Messi.

Se o VAR existisse há alguns anos atrás, sem dúvida muitos resultados seriam mudados, a Argentina de Messi, por exemplo, bicampeão mundial talvez não tivesse levantado a taça em 1986 no México. O histórico gol de mão de Maradona não passaria despercebido pelos vídeos. Inglaterra e Argentina jogaram uma das quartas de finais do torneio e os hermanos venceram por 2×1 graças ao gol irregular.

Foram apenas 3 anos desde que, num jogo pela Major League Soccer, a liga de futebol dos EUA e Canadá, o VAR foi usado pelo primeira vez. Muita coisa ainda precisa melhor, mas a tecnologia no esporte veio pra ficar, a FIFA considerou que o árbitro de vídeo teve 92% de acertos na última Copa do Mundo, ás principais críticas têm sido pela demora na hora de checar um lance, aos poucos torcida, jogadores, árbitros e todos envolvidos no mundo do futebol, irão se acostumar com essa nova fase do esporte mais popular do mundo.


Felipe Nascimento Cruz

Paulistano, com formação em jornalismo e publicidade. Um ex jogador de futebol que acredita que a comunicação pode mudar o mundo.