Espetáculo infantil “A menina do kung fu” aborda temas como inclusão e bullying

O espetáculo infantil “A menina do kung fu”, que fala de uma garota cega decidida a aprender a arte marcial chinesa, incentiva a garotada – com qualquer tipo de limitação ou deficiência – a não desistir dos seus sonhos. A peça pode ser conferida até 1° de setembro, no Teatro Gláucio Gill, às 16 horas, localizado na Praça Cardeal Arcoverde, em Copacabana (Rio de Janeiro).
A história de Belinha, de 9 anos, emocionou as crianças que assistiram à primeira temporada da peça “A menina do kung fu” em julho, no Teatro Ipanema. Na estreia, por uma bela coincidência, havia na plateia uma menina também chamada Belinha e cega, com a mesma idade da personagem principal, que, ao final da sessão, estava radiante com a experiência de ter “assistido” ao espetáculo graças à audiodescrição. Ela confessou uma identificação total com a personagem, falando de todos os percalços que passa na vida real, a exemplo dos encenados na peça. Sinal da importância do texto de Diego Molina para a inclusão de crianças com necessidades especiais e o fim dos preconceitos contra as diferenças.
Com temas como bullying, empoderamento feminino e inclusão, o texto de Molina foi supervisionado por Bosco Brasil, e a montagem teve direção dividida entre Carolina Godinho e o próprio Molina. No elenco, estão Monique Vaillé, Fábio Nunes, Janaína Brasil, Victor Albuquerque e Jorge Neves.

A peça

A montagem – para crianças a partir dos cinco anos de idade, porém mais voltada ao público de 11/12 anos – conta a história de Belinha, menina de 9 anos, cega, que se matricula numa academia de kung fu. Logo no primeiro dia de aula, ela tem de encarar a desconfiança da turma e da professora, além das peripécias de Pedroca e seus amigos, que adoram fazer bullying. Dá para imaginar quantos desafios a personagem encara, não dá?

Desafios no palco, desafios na vida
Também foi um grande desafio escrever e montar a peça sem patrocínio, só contando com instituições e pessoas que acreditaram no projeto e aceitaram participar dele sem nenhum tipo de remuneração ou contribuíram, via crowdfunding, para os serviços de acessibilidade como audiodescrição e intérprete de libras. Afinal, não basta falar de inclusão. É preciso incluir. Assim, crianças com deficiência auditiva e visual podem fruir o espetáculo.

“A menina do kung fu” fala mesmo é de gente – de todos os tipos, problemas, deficiências e limitações. “As relações humanas sempre serão uma pauta atual, e é disso que a peça fala: de construirmos um mundo onde as pessoas se relacionem melhor. E, quando falo em ‘pessoas’, falo de todos os tipos”, conclui Molina.

Serviço:
A menina do kung fu

Local: Teatro Gláucio Gill – um espaço da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa/FUNARJ
Endereço: Praça Cardeal Arcoverde s/n°, Copacabana, ao lado da estação do metrô

Temporada: até 1° de setembro (sábados e domingos às 16 horas)
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) / R$ 15,00 (meia) – entrada gratuita para pessoas com deficiência

Classificação indicativa: livre

Haverá sessões com acessibilidade na comunicação (audiodescrição e intérpretes de libras) no dia 1° de setembro (domingo)

Fotos: Bruno Coqueiro


Keyla Assunção

Jornalista formada há 19 anos, mas atua na área desde 1997. Possui agência de assessoria de imprensa e comunicação e escreve sobre inclusão. No portal VivaBem (UOL) é repórter de Alimentação.