Dia Nacional da Doação de Órgãos

43% das famílias não autorizam a doação de órgãos
A falta de informação é a maior barreira para salvar mais vidas.

Uma data para alertar e conscientizar. Esse é o principal objetivo do Dia Nacional da Doação de Órgãos, lembrado anualmente em 27 de setembro, mês que é chamado de Setembro Verde para marcar essa luta. Mesmo com o aumento no número de transplantes ano a ano, em 2018 morreram 2.851 pessoas na fila e atualmente cerca de 34 mil permanecem aguardando por um órgão que pode mudar a sua vida. O principal motivo para que o número de transplantes não cresça é a não autorização de familiares para a doação. De acordo com a ABTO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos), 43% das famílias não autorizaram a doação dos órgãos de seus entes queridos em 2018.

“O Setembro Verde, realizado em todo país, é o mês que incentiva o debate sobre a doação e o transplante de órgãos. E isso é mais do que importante, pois a doação só ocorre com autorização dos parentes mais próximos. Por isso, ressaltamos a importância das pessoas conversarem com seus familiares e expressarem o desejo de se tornarem doadores.”, explica Edson Arakaki, presidente da ABTx – Associação Brasileira de Transplantados.

Edson, que é transplantado de rim, contou com a sorte de receber o órgão de sua irmã, que era compatível. Mas não é assim com todo mundo. Liége Gautério, por exemplo, precisou de um transplante de pulmão há sete anos devido a uma fibrose pulmonar. A educadora física, que sempre teve o exercício em sua rotina, ficou em uma cadeira de rodas por cinco meses esperando um órgão, pois o simples fato de tomar banho era algo extremamente cansativo.

“O tempo de espera que Liége teve não pode ser considerado uma média. Notamos que, como a negativa familiar é o principal motivo para a não doação, não temos como ter uma regularidade. Muitas pessoas ficam anos na fila. Por isso a conscientização é a chave para mudar essa realidade e zerar esta fila”, complemente Arakaki.

Segundo dados da ABTO, no último ano (2018) a taxa de doadores efetivos cresceu apenas 2,4%, tendo passado de 16,6 pmp (por milhão de população) em 2017, para 17,0 pmp em 2018. O número foi 5,5% abaixo da taxa prevista. Esse aumento, de acordo com a entidade, foi devido à elevação em 0,6% na taxa de notificação dos potenciais doadores e em 2,2% na taxa de efetivação da doação. Entretanto, o crescimento da taxa de transplante de órgãos com doador falecido foi de somente 0,7%, revelando um aumento na taxa de não utilização dos órgãos dos doadores falecidos.

Uma pessoa sozinha pode salvar 8 vidas. Podem ser doados rins, coração, pulmões, fígado, pâncreas e também tecidos, como ossos, tendões, pele, córneas e valvas cardíacas.

Brasil utiliza o esporte para chamar a atenção para o assunto

“Acredito que qualquer transplantado, depois de passar por todo esse processo, leva consigo que chamar a atenção e aumentar a conscientização em torno do assunto é um propósito de vida”. A frase é de Rodrigo Swinka, coordenador da ABTx no Paraná, mas poderia ter sido falada por qualquer transplantado. E essa chance de ganhar novamente a vida motivou a Associação Brasileira dos Transplantados a utilizar o esporte para chamar a atenção para o assunto.

Em novembro vão acontecer os 1º Jogos Brasileiros para Transplantados. A competição já tem sua edição Latino Americana e também Mundial e tem o principal objetivo de ressaltar a importância da atividade física para os transplantados, além de conscientizar as pessoas sobre a doação de órgãos.

A realização dos Jogos é da Prefeitura de Curitiba /SMELJ com apoio da ABTx. Os Jogos acontecerão de 21 a 24 de novembro em quatro modalidades: atletismo (100, 200, 400, 800 metros e 1,5 km); corrida de rua (6 km); natação (50m livre, 100m livre, 50m costas e 400m livre) e tênis. As inscrições serão gratuitas e são esperados atletas transplantados de várias cidades do Brasil.

“O transplante de órgãos é uma jornada que dura por toda uma vida. Ele começa com a conscientização para que cada vez mais famílias permitam a doação. Depois do transplante efetivamente realizado, o transplantado precisa ter uma série de cuidados para a não rejeição, com o seu psicológico e para se manter saudável”, conta Swinka.

Ele, que recebeu um rim de sua mãe há 21 anos, atualmente pratica triathlon para ter a sua saúde em dia e chamar a atenção para a doação de órgãos. Swinka participou dos Jogos Latino Americanos para Transplantados em 2018, trazendo medalhas para o Brasil.

Dentre os principais benefícios da atividade física para o transplantado estão o combate ao excesso de peso; a melhora na autoestima; diminuição da depressão, estresse e cansaço; aumento da disposição; fortalecimento do sistema imune; melhora da força e resistência muscular; fortalecimento de ossos e articulações; diminuição do risco de doenças cardiovasculares. A prática de exercícios físicos ainda ameniza o efeito colateral de vários medicamentos.

As inscrições para os jogos são gratuitas e devem ser feitas pelo site www.jbtxcuritiba.com.br

Sobre a ABTx

A Associação Brasileira dos Transplantados, (ABTx) é uma entidade  de abrangência nacional, sediada em São Paulo que passou a atuar em 2017. Seus objetivos são promover e estimular o desenvolvimento de todas as atividades relacionadas com os transplantes e doações de órgãos e tecidos humanos; congregar os pacientes, os profissionais e as entidades envolvidas ou interessadas em transplantes e doações de órgãos e tecidos; contribuir para o estabelecimento de normas e para a criação e aperfeiçoamento de legislação relacionada com o transplante e doações de órgãos e tecidos; estimular a doação de órgãos e tecidos através de ações de conscientização.
 Mais informações: www.abtx.com.br