Bahia: Grafiteiros revitalizam área industrial envelhecida

O Centro Industrial do Subaé (CIS), região de Feira de Santana/BA, já foi sinônimo de desenvolvimento, mas atualmente enfrenta dificuldades de infraestrutura e abandono. Visando apagar o cinza da poeira e da fuligem, uma multinacional, sediada no local, incentivou um projeto intitulado “Fábrica de Graffiti”, que busca revitalizar a região através da arte.

O projeto intitulado “Fábrica de Graffiti” é uma iniciativa com incentivo captado através da Lei Rouanet, executado por um grupo de artistas mineiros, que almeja a humanização em espaços industriais. Feira de Santana foi contemplada com a segunda edição do evento. No total 10 artistas, sendo 9 baianos e 1 mineiro, fizeram diversas intervenções artísticas no muro da empresa.

 Durante duas semanas, os dez artistas fizeram uma intervenção utilizando mais de duas mil latas de spray. “Cada grafiteiro pintou cerca de 15 metros de muro”, informou o grafiteiro e produtor cultural mineiro, Roger Dee.

Os olhares de curiosidade se multiplicam pelas janelas dos ônibus e carros, muitas pessoas param, tiram fotos, agradecem os artistas. As intervenções já começaram a mudar a rotina da localidade, que é passagem para diversos bairros periféricos feirenses e tem ao lado um símbolo muito forte da identidade feirense: a caixa d’agua do Tomba.

“Eu cresci e moro aqui, comecei fazendo graffiti nessa região, então para mim é um presente estar nesse local e poder estar contribuindo com minha arte para essa população. Quando a equipe do evento entrou em contato comigo para adequar o projeto à realidade local eu sabia que essa região seria ideal”, relatou o artista Kbça, que é o coordenador local do “Fábrica de Graffiti”.

Além dos muros

O Fábrica de Graffiti também exerce uma função social, pois além da pintura dos muros o projeto teve uma etapa que ministrou uma oficina de graffiti para alunos da Escola Municipal Comendador Jonathas Telles de Carvalho, no bairro da Conceição. Essa foi uma oportunidade de interação com a comunidade, estimulando a produção artísticas com crianças e jovens de periferia.

CIS

Criada nos anos 1970 com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento na cidade, o CIS (Centro Industrial do Subaé) foi por muito tempo uma região pujante, onde diversas indústrias e empreendimentos se instalaram e estimularam o crescimento da região sul de Feira de Santana. Porém, com o passar do tempo, o local foi ficando esquecido, as fábricas foram fechando ou se mudando e hoje apenas alguns empreendimentos habitam a localidade.

Uma das fábricas que ainda resistem no CIS é a Belgo Bekaert, uma multinacional que atua no ramo de produção de arames e cercados. A indústria é atuante na agenda cultural feirense e estimula diversos projetos como o “Fábrica de Graffiti” e o circuito Belgo de artes.

“A nossa intenção é estreitar os laços com a comunidade, dar um retorno à cidade. A Fábrica de Graffiti é um desses projetos que busca através da arte a criação de laços e pertencimentos, recuperando para os moradores locais a autoestima e humanizando esses espaços, pois os ambientes industriais são sempre cinza e sem cores”, salientou Rosana Neder, Gerente de RH da Belgo Bekaert Arames em Feira de Santana.

Foto: Divulgação


JB Cardoso

Jornalista e escritor, nascido no Rio Grande do Sul e radicado na Bahia, escreve sobre quase todas as editorias, preferindo sempre contar histórias. Viciado em informação, faz dela um meio de vida. Casado com Thábatta Lorena e pai de Pilar.