Desastre Ambiental: Manchas chegam a Ilhéus, no sul da Bahia – óleo pode ser da Venezuela

A praia de Juerana, zona norte de Ilhéus, começou a receber as manchas de óleo que atingem a costa de vários municípios litorâneos do Nordeste. A cidade, que fica no sul do estado da Bahia, é destino turístico dos mais procurados, e foi cenário de alguns romances de Jorge Amado, como Gabriela, Cravo e Canela. A Petrobrás indica que o óleo foi extraído na Venezuela.

No início da manhã de sexta-feira (25), a praia de Ilhéus foi limpa graças à força-tarefa coordenada pela Prefeitura, em conjunto com a Marinha, Corpo de Bombeiros Militar, instituições e órgãos ambientais. Mais de 300 toneladas já foram retiradas das praias baianas desde a chegada da substância, e Estado está em situação de emergência.

O prefeito Mário Alexandre classificou o vazamento de petróleo cru no litoral do Nordeste, ocorrido desde o início de setembro como um crime ambiental. “É preciso, sobretudo, unir as forças, através de um comitê interinstitucional em parceria com o Governo do Estado”. O prefeito disse que o momento é triste, porém, transmitiu tranquilidade aos ilheenses e turistas a respeito da condução dos trabalhos”.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente e Urbanismo, Jerbson Moraes, as praias na faixa do município de Ilhéus já estão limpas, porém, o monitoramento continua com auxílio da comunidade e, a qualquer momento, nossos meios e pessoal podem ser acionados para retirada de mais óleo, caso chegue. Após o trabalho de limpeza, a substância não retornou à praia”, informou.

“Foi uma fatalidade e uma situação muito difícil”, lamentou Vinícius Alcântara, presidente do Grupo de Amigos da Praia (GAP). “A Prefeitura, órgãos ambientais, empresas, moradores e voluntários chegaram depressa ao local e agiram com bastante eficiência. Estamos juntos para ajudar no que for necessário. Essa causa é de todos nós”, complementou.

O secretário estadual do Meio Ambiente, João Carlos Oliveira, este em Ilhéus para uma reunião de alinhamento sobre as ações que serão adotadas para limpeza das praias atingidas pelo óleo nos municípios de Cairú, Uruçuca, Ilhéus, Maraú e Itacaré. O prefeito Mário Alexandre e outros representantes municipais participam do encontro no Centro de Convenções Luiz Eduardo Magalhães. 

As manchas de petróleo em praias do Nordeste já atingiram pelo menos 225 localidades em mais de 80 municípios de nove estados. O fenômeno tem afetado a vida de animais marinhos e causado impactos nas cidades litorâneas. A origem desconhecida do material poluente está sob investigação. Quando entra em contato com o calor e luz, libera substâncias poluentes e tóxicas, que podem provocar danos à saúde de pessoas, animais e plantas.

Origem pode ser venezuelana

Segundo matéria da Agência Brasil, o óleo que está chegando às praias nordestinas pode ser da Venezuela. O diretor de Assuntos Corporativos da Petrobras, Eberaldo Neto, disse na sexta-feira, dia 25, que a análise de 30 amostras do petróleo recolhido permitiu concluir que ele foi extraído de três campos de produção na Venezuela. Em uma entrevista coletiva concedida à imprensa, Neto esclareceu que a companhia agiu assim que foi acionada pela União, no início de setembro, e recolheu 340 toneladas de resíduos das praias.

“A gente fez análise em mais de 30 amostras e concluiu que é de três campos venezuelanos”, disse Neto. “A origem do vazamento é outra coisa. A gente entende que é na costa brasileira.”

O vazamento teria ocorrido no Oceano Atlântico, em uma região no caminho de uma corrente marinha que vem da África e se bifurca, seguindo para a costa setentrional do Nordeste, de um lado, e para a Bahia e o Sudeste, do outro, passando pelos locais onde o óleo tem sido recolhido.

“A gente sabe que foi em um ponto desse de bifurcação que foi a origem do vazamento. Provavelmente, um navio passando ali. As autoridades estão investigando.”

Neto destacou que o fato de o petróleo afundar e seguir para o litoral em uma camada abaixo da superfície do mar dificulta a visualização dele com sobrevoos e satélites e também a contenção dele com barreiras.

“A gente tem um centro de defesa ambiental preparado para isso, mas preparado para um óleo da Petrobras, que vaza de instalação da Petrobras, e a gente localiza a fonte e ataca com os instrumentos mais adequados”, disse o diretor, que explicou que o fato de o óleo submergir quase que inviabiliza a contenção dele antes de chegar ao litoral. “Fica praticamente impossível pegar a montante esse óleo e segurar com barreiras e outros instrumentos que a gente tem. O mecanismo de captura tem sido quando a maré e a corrente jogam para a praia. Infelizmente, tem sido esse o jeito, porque, com os mecanismos que a gente detém, é agulha no palheiro para a gente pegar pelas características do óleo.”

O diretor da estatal afirmou que a Petrobras vai distribuir equipamentos de proteção individual em comunidades do Nordeste para que voluntários possam utilizar os equipamentos para se proteger de possíveis intoxicações no contato com a substância.

Neto disse que o foco da Petrobras é continuar o trabalho e qualquer discussão sobre o valor que será ressarcido à companhia pelos recursos gastos será feita posteriormente.

(Com informações da Prefeitura de Ilhéus e Agência Brasil – Foto: Prefeitura de Ilhéus)


JB Cardoso

Jornalista e escritor, nascido no Rio Grande do Sul e radicado na Bahia, escreve sobre quase todas as editorias, preferindo sempre contar histórias. Viciado em informação, faz dela um meio de vida. Casado com Thábatta Lorena e pai de Pilar e Cléo.