A cada ano, mais de 20 milhões de crianças ficam sem vacina do sarampo

O Brasil é um dos países referência mundial quando se fala em imunização, O Programa Nacional de Imunizações (PNI) é reconhecido mundialmente como um dos mais bem sucedidos na área de saúde pública em todo o mundo.

Mesmo com o sucesso do programa a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para uma estagnação de cobertura vacinação, não só no Brasil, mas em todo o mundo. A estimativa é de que todos os anos cerca de 20 milhões de crianças ficam sem tomar a vacina contra o sarampo. A taxa de imunização está em 86% quando o indicado para evitar surtos de doenças é de pelos menos 95% segundo os médicos. Desconfiança e falta de informação são alguns dos motivos para essa queda nos números.

Essa desconfiança em relação à proteção das vacinas tem alguns dados curiosos, países mais ricos e desenvolvidos confiam menos em vacinas do que países mais pobres. Segundo um estudo feito pela Gallup World Poll, uma empresa de pesquisa de opinião dos EUA, apontou que na França, por exemplo, umas das 10 maiores economias mundiais, mais 30% das pessoas não acreditam na segurança das vacinas. No outro lado da lista, Ruanda que não figura entre 100 principais economias tem um índice de confiança que chega a quase 100%.  Fake news e uma onda antivacina também têm contribuído para essa queda de imunização.

A Dra. Rosana Richtmann, infectologista do Instituo Emílio Ribas, lembra de um famoso caso de fake news que aconteceu 1998 e tem repercussão até hoje, quando o então médico inglês Andrew Wakefield tentou associar vacina com autismo, “Teve uma publicação importante no The Lancet (revista científica sobre medicina) ele fez uma pesquisa forjada tentando relacionar a vacina Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) com autismo. Isso nunca foi comprovado, a publicação foi retirada e ele teve sua licença de médico cassada por fraude”.

Este ano a XXI Jornada Nacional de Imunizações realizada pela Sociedade Brasileira de Imunização (SBIM) teve como um dos principais temas o combate as notícias falsas, os especialista entende que o maior problema pelo menos no Brasil é a “desinformação” que causa alguns medos e receios na hora de vacinar.

O Ministério da Saúde já desmentiu mais de cem notícias falsa este ano, o possível efeito colateral da imunização está entre as principais dúvidas, mas o movimento antivacina que vem ganhando força no mundo inteiro também preocupa apesar de não estar tão presente na America latina. Esses grupos que são contra vacinas se concentram mais nos EUA e em alguns países da Europa.


Felipe Nascimento Cruz

Paulistano, com formação em jornalismo e publicidade. Um ex jogador de futebol que acredita que a comunicação pode mudar o mundo.