Entenda o que é “isolamento vertical” e isolamento horizontal”

Avenida Paulista vazia\ Foto divulgação

Neste sábado (4) o Brasil registrou o maior aumento diário de novos casos do novo coronavírus, 1.222 pessoas infectadas, somando mais de 10 mil casos com 432 mortes confirmados, um crescimento de 13,5%. Em entrevista, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis afirmou a importância do isolamento social neste momento da pandemia “a situação poderia ser muito pior se Rio e São Paulo não tivessem adotado medidas de distanciamento social”.

O último boletim Epidemiológico divulgado pela pasta da saúde reforçou o alto risco de contaminação caso as medidas de isolamento não sejam cumpridas.

“O Ministério da Saúde avalia o risco nacional como muito alto. Deste modo, as Unidades da Federação que implementaram medidas de distanciamento social ampliado devem manter essas medidas até que o suprimento de equipamentos (leitos, EPI, respiradores e teste laboratoriais) e equipes de saúde (médicos, enfermeiros, demais profissionais de saúde e outros) estejam disponíveis em quantitativo suficiente, de forma a promover, com segurança, a transição para a estratégia de distanciamento social e seletivo”, diz a nota.

Na prática o isolamento vertical, defendido pelo presidente Jair Bolsonaro é manter em isolamento apenas o grupo de risco, idosos e pessoas com problemas cardiorrespiratórios, diabetes ou câncer. A ideia é que pessoas fora do grupo de risco voltem a trabalhar e circular de forma normal, para não afetar, ainda mais, a economia do país.

Esse tipo de isolamento foi usado no Reino Unido, mas depois que uma analise técnica mostrou que o número de mortes poderia chegar a mais de 250 mil, Boris Johnson, Primeiro Ministro inglês, voltou atrás e passou a impedir reuniões com mais de 2 pessoas imponde até multa para quem saísse na rua sem necessidade.

Já o isolamento horizontal, determina que todos devem ficar em casa para evitar ao máximo a propagação do vírus. Exceção são os profissionais de áreas essenciais, como saúde, segurança etc. Isso determina o fechamento de espaços públicos, escolas, lojas, estádios de futebol, shows etc.

Recomendado pela Organização Mundial da Saúde é a opção, até o momento, de maior eficácia comprovada. Pesquisas mostram que o isolamento horizontal adotado pela cidade de Wuhan, China, epicentro da Covid-19 foi fundamental para diminuir o número de novos casos. As autoridades chinesas já colocaram uma data para iniciar o fim de parte do isolamento, a partir de 8 de abril.

Secretário executivo do Min. da Saúde, João Gobbardo dos Reis\ foto: agência Brasil

O Brasil deve seguir as recomendações de isolamento total para as próximas semanas, que segundo especialistas será de um possível aumento de números de casos pela chegada dos testes rápidos comprados pelo governo federal.

Para Rosana Richtmann, infectologista do Hospital Emilio Ribas em São Paulo, “a perspectiva para as próximas semanas é que a gente tenha um aumento de número de casos, porque nós estamos detectando muito mais. O número que temos sempre ficar de olho é o número de mortes, hospitalizações e pacientes em terapia intensiva. É isso que a gente não quer que aumente”.

A dra reforçar a importância das medidas de isolamento “com tudo que nos estamos falando de: quarentena, de ficar em casa, ficar distante, usar mascara caseira, tudo isso esta sendo feito para gente conseguir que a velocidade do número de casos, e em consequência a velocidade do número de pacientes críticos sejam muito mais devagar, muito mais escalonado”.

O Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, apoiou as medidas de isolamento, o Ministério da Saúde apontou que as medidas de isolamento estão funcionando, citando com exemplo a cidade de São Paulo cujo índice de transmissão do vírus chegou a seis e hoje está próximo a dois.


Felipe Nascimento Cruz

Paulistano, com formação em jornalismo e publicidade. Um ex jogador de futebol que acredita que a comunicação pode mudar o mundo.