Agência de Saúde dos EUA autoriza uso de medicamento contra a COVID-19

Foto: Ulrich Perrey – AFP

Na última sexta feira (1) dia internacional dos trabalhadores, uma notícia trouxe um pouco de esperança para milhares de pessoas pelo mundo, o presidente dos EUA, Donald Trump anunciou que a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, sigla em inglês) autorizou o uso emergêncial do antiviral remdesivir para tratamento contra o novo coronavírus.

Em fevereiro deste ano, um estudo liderado pelo Instituto Nacional da Saúde (NIH, sigla em inglês) fez um experimento que envolveu mais de mil pacientes internados em estagio avançado da COVID-19 e pneumonia. Os primeiros resultados mostraram que o uso do remédio fez reduzir o tempo de internação, e a taxa de mortalidade entre quem usou o remdesivir ficou em 8% contra 11% dos que usaram outros medicamentos.

Segundo Ricardo Lobo, médico infectologista do Hospital Dia de Cidade Ademar em São Paulo é preciso ter cautela sobre estes estudos, “ainda não da pra dizer que é o medicamento mais promissor contra a COVID-19, a ideia é diminuir o tempo de permanência no hospital para desafogar o sistema de saúde, já que a taxa de mortalidade ainda é alta”.

Mesmo com estudos iniciais e sem uma aprovação formal, o governo federal americano autorizou o uso do medicamento diante do caos vivido pelo país, o mais atingido pela pandemia. São mais de um milhão de casos confirmados e pelo menos 60 mil mortes em todo o país (dados 3 de maio), o remdesivir se torna o primeiro medicamento aprovado para o tratamento contra o novo coronavírus.

Foto: Reuters

Inicialmente o medicamento foi desenvolvido para o tratamento contra o Ebola, uma doença infecciosa que afeta humanos e outros mamíferos que virou um surto em 2013 em alguns países da África como: Guiné, Libéria e Serra Leoa. Diferente da COVID-19 que tem uma taxa de mortalidade considerada baixa, o Ebola pode levar a morte quase 90% das pessoas contaminadas. O remédio não teve muito sucesso no tratamento dessa doença.

NO Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) emitiu uma nota, publicado em seu site, informando que está em contato com a Gilead, empresa de biofarmacologia américana que produz o medicamento.

“A ANVISA está contato com a Gilead empresa que fabrica o remdesivir no exterior, a fim de acompanhar a evolução dos estudos do medicamento para o tratamento da COVID-19” (…) “Caso o benefício do medicamento se comprove, a ANVISA possui mecanismo, como anuência  de uso em programa assistencial e priorização de registro, para garantir  o acesso célere do medicamento a população”(…) Diz a nota.

A ANVISA é a agencia responsável por liberar o uso de medicamentos no Brasil, a Gilead espera produzir mais de 1 milhão de doses do remédio até o fim do ano, mas ainda não tem data para quando o medicamento poderá ficar disponível no Brasil. A empresa americana se comprometeu a doar boa parte da produção do antiviral para o tratamento de pacientes com a COVID-19 nos EUA.


Felipe Nascimento Cruz

Paulistano, com formação em jornalismo e publicidade. Um ex jogador de futebol que acredita que a comunicação pode mudar o mundo.