Teste com vacina contra a COVID-19 tem sucesso em macacos na China

A corrida bilionária por uma vacina contra a COVID-19 começa mostra resultados positivos em alguns lugares do mundo. Pesquisadores da Sinovac Biotech, empresa com sede em Pequim na China, apresentaram resultados promissores. Pela primeira vez uma vacina contra o novo coronavírus protegeu um animal, neste caso o macaco rhesus, comum na China, Afeganistão e Índia.

No teste, publicado pela revista Science, os animais não apresentaram efeitos colaterais depois de tomar a vacina feita com o vírus inativado. Foram usadas duas vacinas diferentes em um grupo de oito macacos, pouco mais de três semanas depois, tempo para vacina fazer efeito, os cientistas infectaram os macacos com o SARS-CoV-2, vírus que causa a COVID-19 e o resultado foi que os animais não desenvolveram a doença.

Quanto maior foi a dosagem da vacina, melhor resposta imunológica os animais tiveram, os que receberam um dose menor tiveram algum tipo de quadro viral, mas também responderam de forma positiva a imunização. A previsão é que os testes em humanos comecem a partir do dia 16 de abril.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou no final de abril uma plataforma de cooperação mundial para acelerar o desenvolvimento de uma vacina contra o novo coronavírus. Com este esforço e colaboração internacional, outras 100 vacinas estão em fase avançada e pelo menos 20 delas já estão em fase de testes em humanos.

Nos EUA o primeiro grupo a receber a vacina foi de pessoas saudáveis entre 18 e 55 anos de idade, a vacina foi aplicada na escola de medicina da Universidade de Nova York e na Universidade de Maryland.

O Reino Unido também já iniciou a fase de teste em humanos da vacina. O ministro da saúde inglês, Matt Hancock anunciou um investimento milionário para o inicio dos testes clínicos na universidade de Oxford de 20 milhões de libras, cerca de 130 milhões de reais.

Na Alemanha, Jens Spahn ministro da saúde local, com o aval do Instituto Paul Ehrlich, órgão que regulamenta os medicamentos no país, também anunciou o inicio dos testes da vacina contra o novo coronavírus em humanos. Foram 200 voluntários com os mesmo critérios usados em outros países, pessoas saudáveis de idade entre 18 e 55 para a primeira fase de testes. A segunda fase também receberão doses da vacina pessoas do grupo de risco da doença.

No Brasil, pesquisas do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Minas Gerais são as linhas de frente mais promissores em desenvolver uma vacina nacional.

Fiocruz em Minas Gerais

Os cientistas brasileiros trabalham com duas linhas de desenvolvimento, o uso de VLPs (Virus-like particle) uma técnica que usa moléculas semelhantes ao vírus, mas sem a carga virial, ou seja, não são infecciosas. Essa técnica faz com que o organismo desenvolva anticorpos para combater o vírus.

Outra linha tenta desenvolver uma vacina bivalente contra a gripe e o novo coronavírus usando adjuvantes imunológicos, que são substancias que podem aumentar a resposta imunológica e melhora o desempenho do antígeno do organismo,

Para os especialistas a produção de uma vacina nacional para combater a pandemia da COVID-19 é importante para o Brasil atingir independência neste momento em que o mundo inteiro está atrás do mesmo produto.  No Brasil, os testes ainda serão feitos em camundongos, os testes em humanos podem demorar de um a dois anos.


Felipe Nascimento Cruz

Paulistano, com formação em jornalismo e publicidade. Um ex jogador de futebol que acredita que a comunicação pode mudar o mundo.