Novo coronavírus avança nas periferias de SP, Brasilândia é o bairro com maior número de mortes em toda a cidade

Bairro da Brasilândia, zona norte da capital paulista

Segunda feira á noite era dia sagrado para Paulo Afonso, um amante do futebol que sempre se reunia com os amigos para fazer umas das coisas que mais amava na vida, jogar futsal na quadra da Vila Zatt no bairro de Pirituba zona norte de São Paulo. Mas nem mesmo esse histórico de atleta foi capaz de vencer o novo coronavírus, internado no Hospital Vila Penteado, Paulo é mais uma das 9.862 vítimas da doença somente em São Paulo.

O Hospital Penteado recebe e fica a poucas quadras da Brasilândia, bairro com o maior número de mortes pela COVID-19 no estado 247 (dados até 5 de junho) epicentro da pandemia no Brasil, a subprefeitura da Freguesia do Ó, responsável pela região, tem realizado ações para tentar conscientizar a população da gravidade da situação.

A Prefeitura vem monitorando a situação e fazendo ações  como o mutirão de pulverização na Brasilândia para tentar conter o avanço da doença no bairro, mas como muitos lugares espalhados pelo país tem enorme dificuldade de manter o distanciamento social pelas condições e estilo de moradias.

A Freguesia do Ó é um dos bairros mais antigos da cidade, com 438 anos mantem muitas características do século passado, na região do Largo da Matriz local de festas e comemoração ainda existem construções centenárias.  Assim como a Brasilândia que nas décadas de 1950 e 1960 recebeu uma grande migração de nordestinos e com a instalação de empresas fez o bairro se desenvolver.

A região tem se consolidado semana a semana como o lugar do maior mortalidade da cidade, segundo pesquisa publicada pelo G1 no final de abril, moradores das regiões mais periféricas tem 10 vezes mais chance de morrer em decorrência da doença que pessoas de bairros mais nobres.

Em regiões de maior poder aquisitivo da cidade como: Pinheiros e Vila Mariana, 90% das mortes são de pessoas com mais de 60 anos de idade, já nas regiões mais pobres como Campo Limpo e Parelheiros na zona sul, 90% das mortes são de pessoas na faixa etária dos 50 anos.

Um levantamento mostrou que os 20 bairros com mais mortes até o momento por COVID-19 ou suspeita da doença, todos estão nas periferias da capital paulista, só a Brasilândia registra quase 6 mortes por dia. O Prefeito Bruno Covas (PSDB) falou em entrevista ao portal UOL, sobre os esforços que a prefeitura tem feito para tentar conter o vírus e o quanto a desigualdade social escancara ainda mais o problema da pandemia.

“Infelizmente é um dado triste. Tem haver com o problema habitacional que temos na cidade, com questão de moradias irregulares. É um problema de alimentação. O vírus escancara a nossa desigualdade social”.  Disse o prefeito.

O distanciamento social é extremamente importante para conter a contaminação, e tem sido um verdadeiro desafio para as periferias da cidade, São Paulo tem ficado abaixo do índice considerado ideal de pelo menos 70%. A cidade tem atingido 56% de isolamento aos domingos e feriados.  

Bairros com maior números de mortes:

  • Bairros com maior números de mortes:
  • Brasilândia (Zona Norte) – 247 mortes
  • Sapopemba (Zona sul) – 245 mortes
  • Grajaú (Zona Sul) – 215 mortes
  • Jardim Ângela (Zona Sul) – 197 mortes
  • Capão Redondo (Zona Sul) – 1997 mortes

Felipe Nascimento Cruz

Paulistano, com formação em jornalismo e publicidade. Um ex jogador de futebol que acredita que a comunicação pode mudar o mundo.