Uma vacina em tempo recorde

A pandemia do novo coronavirus está fazendo a corrida por um medicamento eficaz ou uma vacina definitiva ficar cada vez mais instigante. A Organização Mundial da Saúde (OMS) espera uma produção de milhões de doses da vacina para combater o vírus ainda para este ano.

Existem pelo menos 143 pesquisas em andamento, das quais 4 estão em fase avançada e pelo menos 2 delas entraram na fase três, quando são testado em um número grande de pessoas para comprovar, ou não, que criaram anticorpos contra a doença.

A necessidade de produzir uma “cura” para um novo vírus que ainda está vigente coloca mais importância ainda nos estudos científicos. Em um momento em que lideres pelo mundo colocam em cheque a importância da ciência, sai na frente quem investe e valoriza essa área.

Vale lembrar que, em média, uma vacina é produzida entre estudos clínicos, fase de teste até ficar disponível para toda a população, 15 anos. Com a urgência da pandemia, em cerca de seis meses o mundo espera que uma imunização contra a Covid-19 esteja pronta. Um recorde histórico.

Nas últimas décadas a comunidade cientifica, junto com os laboratórios e indústrias de vacinas tentaram encurtar esse tempo para conter outros surtos de doenças que foram surgindo com: influenza H1N1, Ebola, Zika e o SARS-CoV-2. Já existiam estudos para uma vacina contra o Ebola, que matou milhares na África, mas havia sido suspenso em 2013 quando o surto começou. Depois disso, o governo dos EUA passou financiar o desenvolvimento para acelerar a produção de uma vacina, que foi aprovado, 2019, pelas agencias regulamentadores e está salvando vidas no novo surto da doença.

O Brasil tem um papel importante para o desenvolvimento de uma vacina contra o novo coronavírus, como o segundo país com a triste marca de mais mortes pela doença (Mais de 50 mil até este domingo), atrás apenas dos EUA, o país foi um dos escolhidos para a fase 3 de testes do estudo liderado pela Universidade de Oxford em parceria com a empresa AstraZeneca.

Serão 2 mil voluntários entre 18 e 55 anos de idade que receberão a vacina. O estudo é conduzido pelo Centro de Referencia para Imunobiológicos Especiais (CRIE) da Universidade Federal de São Paulo. E no Rio de Janeiro os testes com outras mil pessoas serão feitos pela Rede D’Or São Luiz, coordenado pelo Instituto D’Or de pesquisa e Ensino (Idor).

Nesta fase, pessoas consideradas linha de frente no combate a doença como: médicos, enfermeiros, equipe de limpeza de hospitais, motoristas de ambulância, por exemplo, terão prioridades.

Como se faz uma vacina

arte: Câncer Grace

Fase pré-clínica:

Nesta fase os estudos ainda são iniciais. Os testes são feitos em laboratórios, em geral, em animais.

Fase clinica: Já começam testes em humanos.

Fase 1. Saber se a vacina é segura

Fase 2. Comprovar que a vacina cria anticorpos

Fase 3. Vacinação em um grande número de pessoas. Os estudos apontam se a vacina é eficaz quando em contato com a doença.

Aprovação:

Nesta fase as agencias de controle de saúde aprovam a vacina. Nos EUA a FDA é responsável pela aprovação, no Brasil quem faz esse controle é a ANVISA.

Produção.

As empresas e laboratórios produzem em larga escala.


Felipe Nascimento Cruz

Paulistano, com formação em jornalismo e publicidade. Um ex jogador de futebol que acredita que a comunicação pode mudar o mundo.