O que sabemos sobre reinfecção da COVID-19

Contrair o novo coronavírus já é ruim, agora imagina pegar a doença duas vezes. A reinfecção tem sido estudada por especialista do mundo inteiro, na última segunda (14) foi publicado na revista cientifica da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, o estudo sobre o possível caso de uma enfermeira em Ribeirão Preto que teria testado positivo em junho, e voltou a ser diagnosticada com o vírus em maio.

O estudo é da Universidade de São Paulo (USP) e conduzido pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, a jovem de 24 anos teve contato com um colega de trabalho infectado e alguns dias depois apresentou febre, dor de cabeça e problemas para respirar. Após o exame RT-PCR (teste coletado do nariz e garganta) dar negativo, ela repetiu cinco dias depois e confirmou a doença.

Depois do período em quarentena e o fim dos sintomas a enfermeira voltou a trabalhar normalmente, mas cerca de 40 dias depois relatou sintomas da doença novamente o que foi confirmado em novo exame de RT-PCR.

Até o momento a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece apenas um caso confirmado de reinfecção pelo Sars-CoV-2 em um paciente de 33 anos em Hong Kong. Segundo a infectologista Rosana Richtmann, do hospital Emílio Ribas em São Paulo, pegar a doença novamente é possível, mas deve ser exceção e não uma regra:

“A única forma da gente realmente afirmar uma reinfecção é quando você tem o vírus da primeira infecção, você tem o vírus da segunda infecção e comparam os dois vírus geneticamente para ver se de fato são diferentes (…). O único estudo que mostrou isso foi o de Hong Kong”.

No caso da brasileira, o material genético do primeiro resultado positivo foi descartado antes da paciente passar a ser acompanhada pelos pesquisadores, o que impossibilita a comparação genética, mas o acompanhamento do sistema imunológico da jovem pode ajudar comprovar ou descartar a possibilidade de reinfecção.

O caso comprovado em Hong Kong mais uma vez confirma uma mutação no vírus o que levanta questionamentos sobre o impacto dessa mudança genética em relação produção das vacinas já em estado avançado. Alguns especialistas já esperavam resultados perecidos, pois segue um padrão da família desse tipo de vírus e apenas confirma que a imunidade contra o novo coronavírus pode ter um prazo de validade, mas não deve impactar, nesse primeiro momento nas vacinas em produção.

“Mesmo que esse vírus possa causar uma reinfecção por mudança genética, isso muito provavelmente não vai ter implicação na vacinação por que o coronavírus é muito mais lento nessa mudança genética do que, por exemplo, quando a gente compara com o vírus da gripo que todo ano estamos tomando vacina”. Disse a doutora Richtmann.

O que se sabe até o momento é que existe a possibilidade de quem pegou a COVID-19 se infectar novamente, mas são casos muito raros, os cientistas estão acompanhados outros casos suspeitos para ter dados mais seguros. No Brasil os especialistas estão monitorando outros 12 casos parecidos com a da enfermeira. A reinfecção tende a ser menos perigosa, pois o paciente já possui algum tipo de anticorpos contra o agente infeccioso.


Felipe Nascimento Cruz

Paulistano, com formação em jornalismo e publicidade. Um ex jogador de futebol que acredita que a comunicação pode mudar o mundo.