Até quando teremos que usar máscara contra a COVID-19?

Foto: Eduardo Frazão – Exame

O mundo está há meses aprendendo a conviver com o vírus que mudou a forma de relação e convivência entre as pessoas, sai o cordial aperto de mão e entra o toque de cotovelo, nada de beijo e abraço apenas um frio olhar respeitando o distanciamento social.

E o item mais presente desse novo normal é a máscara. Com certificação, descartável, de pano, preta, branca, colorida ou florida ela é alvo de críticas, embasa os óculos e às vezes atrapalha a respiração, mas sem dúvida tem se saído muito eficaz no seu maior objetivo – evitar a transmissão da doença e consequentemente salvar vidas.

Em alguns países o uso já era comum, é o caso de Japão onde as pessoas se acostumaram a usar desde o período da gripe espanhola (1918-1920) que casou cerca de 23 milhões de infecções e deixaram mais de 390 mil mortes.

Existe também registro que uso da máscara é ainda mais antigo. No período do Edo (1603 a 1868) uma fase de relativa paz após anos de guerra, os japoneses usavam um pedaço de papel ou um ramo de folha no rosto, neste caso para evitar o mau hálito. A industrialização do país e alto índice de poluição também são apontados para a manutenção dessa cultura do uso da máscara no Japão.

No Brasil, apesar de obrigatória, ainda causa certo desconforto na população, basta andar pelas cidades para ver um festival de máscara no queixo, nariz para fora e pessoas que sai de casa sem ela. Mas ate quando teremos que usa-las?

Grande parte dos especialistas acredita que a máscara veio para ficar, e mesmo com início da vacinação contra a COVID-19 ainda será necessária à proteção no rosto.

A vacina, no primeiro momento, será feita no grupo de risco da doença, ou seja, milhares de pessoas ainda podem pegar e transmitir o vírus, mas com a imunização nesse grupo prioritário, diminui a chance de casos mais graves e mortes.   

O uso da máscara já se tornou cultural no Japão – Foto divulgação

O fim da obrigatoriedade do uso da máscara só deve acontecer de forma segura com a chamada imunidade de rebanho, quando boa parte de população tiver anticorpos contra a doença, seja pela vacina ou por já ter tido contato com o vírus criando uma barreira imunológica.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) apoia o uso de máscara no combate ao novo coronavírus, pesquisas recentes mostram que elas reduzem a chance de transmitir e pegar vírus e alguns estudos sugere que a máscara pode reduzir a gravidade da infecção.

Um artigo publicado está semana pela revista cientifica Nature, mostra o resultado de um estudo liderado pelo microbiologista Kwok-Yung Yuen da Universidade de Hong Kong onde hamsters saudáveis e infectados foram colocados em gaiolas com divisórias de máscaras cirúrgicas separando alguns animais.

Sem a proteção da máscara, cerca dois terços dos animais que estavam saudáveis contraíram o SARS-CoV-2, e apenas 25% dos que estavam protegidos pela barreira da máscara foram infectados, e mesmo os que ficaram doentes tiveram uma infecção mais leve que os outros.

Ainda em entrevista para a revista, Monica Gandhi, infectologista da Universidade da Califórnia, São Francisco nos EUA, fala sobre as descobertas e que a analise de dados coletados durante todo esse tempo de pandemia justificam o consenso do uso da máscara não apenas contra a COVID-19:

“O mascaramento não apenas proteger você de infecções, mas também de outras doenças”. Diz Gandhi.

A médica é coautora de um estudo publicado no final de julho onde aponta que o uso da máscara pode estar associado à quantidade de vírus que uma pessoa recebe ao ser exposto. Resultando em uma infecção mais leve ou assintomática.

O estudo acompanhou a taxa de hospitalização de 1 mil pessoas nos EUA antes e depois do uso da máscara e concluiu que a gravidade das internações diminui após ação pública de obrigação do uso da máscara.

A pesquisa ainda sugere outro fator importante, caso as pessoas tenham sintomas leves ou assintomáticos, pode ajudar a aumentar a imunidade geral da população sem aumentar a internação grave ou risco de morte.  


Felipe Nascimento Cruz

Paulistano, com formação em jornalismo e publicidade. Um ex jogador de futebol que acredita que a comunicação pode mudar o mundo.