Estudo mostra que Manaus pode ter alcançado imunidade de rebanho contra a COVID-19

Cemitério em Manaus, Amazonas – Foto Michael Dantas/ AFP

Um estudo conduzido por cientistas brasileiros revelou dados importantes na luta contra o novo coronavírus, a amostragem aponta que a cidade de Manaus, no Amazonas pode ter atingido a chamada imunidade de rebanho com 66% da população tendo desenvolvido anticorpos contra a doença.   

A pesquisa do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com outras universidades como Oxford, no Reino Unido, a Escola de Saúde Publica de Harvard, no EUA e outros centros de pesquisa no Amazonas analisou as amostras de um banco de doadores de sangue e estima que entre 44% e 66% da população já tenha se infectado com o Sars-CoV-2 desde o primeiro caso em março. A pesquisa ainda não foi publicada em nenhuma revista cientifica e passará por novas analises para ser comprovada.

A queda rápida no número de mortes intrigou pesquisadores de diversos lugares, em entrevista ao MIT Technology Review, uma revista do Instituto de tecnologia de Massachusetts, a chefe da pesquisa Ester Sabino falou sobre a importância da pesquisa para o mundo:

“Pelo o que aprendemos, essa é provavelmente a maior prevalência no mundo. As mortes caíram muito rapidamente, e o que estamos dizendo é que elas estão relacionadas”.

O que mais chamou a atenção de pesquisadores do mundo inteiro foi que Manaus foi umas das cidades mais atingidas pela doença, há alguns meses atrás as pessoas morriam em casa e a doença avançou para as comunidades indígenas mais isoladas. A cidade chegou a ter um pico de 79 mortes por dia e de forma muito rápida a mortalidade caiu para 3 mortes diárias.

Essa queda de mortalidade e de novos casos da doença sugere que a cidade alcançou a imunidade de rebanho, pois o vírus não está achando pessoas suscetíveis para contaminar.

Aglomeração no centro de Manaus – foto: Bruno Kelli

O que é imunidade de rebanho?

Imunidade de rebanho acontece quando muitas pessoas ficam imunes a uma doença, seja por já ter se contaminado e o corpo criar anticorpos, ou pela vacinação em massa. Um exemplo é a vacina contra o sarampo, com mais de 90% da população vacinada, o vírus não encontra um hospedeiro para se reproduzir e para de circular, protegendo quem não pode tomar a vacina.

Apesar da queda no número de mortes ser considerada positiva em Manaus, os especialistas alertam que a imunidade de rebanho por via natural, ou seja, muitas pessoas ficando doente, não pode ser considerado uma boa tática no combate ao vírus, segundo Florian Krammer, médico do Hospital Monte Sinal em Nova York “a imunidade comunitária via infecção natural não é uma estratégia, é um sinal de que o governo falhou em controlar o surto e está pagando por isso em vidas perdidas”.

Nas últimas semanas o governo do Amazonas voltou atrás na flexibilização e mandou fechar bares, praias e proibiu a realização de ventos, depois de um novo aumento de internações por COVID-19 nos hospitais. Em nota, governo do estado confirmou a preocupação com o aumento de casos, mas descartou uma segunda onda da doença.   


Felipe Nascimento Cruz

Paulistano, com formação em jornalismo e publicidade. Um ex jogador de futebol que acredita que a comunicação pode mudar o mundo.