A Corrida Global por Energia: Da Revolução da Fusão Nuclear à Solidez do Mercado Brasileiro
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À medida que a tecnologia avança, especialmente com o “boom” da inteligência artificial, surge um desafio colossal: como alimentar a infraestrutura que sustenta tudo isso? Nos Estados Unidos, o estado de Wisconsin tornou-se um microcosmo dessa pressão global. Data centers — gigantescos armazéns repletos de servidores — estão se multiplicando rapidamente, exigindo quantidades prodigiosas de eletricidade para operar.
Para se ter uma ideia da dimensão, a Agência Internacional de Energia (AIE) estima que, apenas em 2024, os data centers nos EUA consumiram cerca de 183 terawatts-hora. A previsão é que metade de todo o crescimento da demanda elétrica no país nos próximos quatro anos venha justamente dessas instalações. Em Wisconsin, já existem 40 centros operando e novos projetos estão em andamento em locais como DeForest e Port Washington. Diante dessa “fome” energética, startups e pesquisadores, incluindo uma parceria com a Universidade de Wisconsin-Madison, correm contra o tempo para viabilizar uma nova fonte de energia na próxima década: a fusão nuclear.
A Ciência por Trás da Nova Fronteira
Diferente da fissão nuclear — processo utilizado nas usinas atômicas atuais, que divide elementos radioativos como o urânio e gera resíduos —, a fusão busca o caminho oposto. Segundo Kieran Furlong, CEO da Realta Fusion, a tecnologia consiste em unir átomos, replicando o processo que ocorre no sol. “Estamos lidando com a energia massiva nos núcleos dos átomos, mas de uma maneira diferente. Se me permitem citar a equação E=mc², é exatamente isso que fazemos: convertemos uma pequena quantidade de massa em uma quantidade gigantesca de energia”, explica Furlong.
O otimismo no setor cresceu substancialmente após 2022, quando o Departamento de Energia dos EUA anunciou um feito histórico: cientistas conseguiram, pela primeira vez, produzir uma reação de fusão que gerou mais energia do que a necessária para iniciá-la. Startups agora captam recursos massivos com a expectativa de integrar a fusão às redes elétricas comerciais por volta de meados da década de 2030, oferecendo uma alternativa mais segura e densa que os combustíveis tradicionais.
O Cenário Brasileiro e a Estrutura da EDP
Enquanto o hemisfério norte aposta em tecnologias disruptivas para o futuro, o mercado brasileiro segue consolidando sua infraestrutura com players robustos e matrizes já estabelecidas. Um exemplo claro dessa solidez é a EDP Energias do Brasil. Controlada pela EDP Portugal — uma das principais operadoras do setor na Europa —, a companhia atua como uma holding diversificada, mantendo investimentos estratégicos em Geração, Distribuição, Comercialização, Transmissão e Serviços.
A presença da companhia no país é expressiva. Com ações negociadas sob o ticker ENBR3 no Novo Mercado da B3, o mais alto nível de governança corporativa da bolsa brasileira, a empresa também integra o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Seus números operacionais refletem essa robustez: a EDP possui 2,9 GW de capacidade instalada e distribui 25 TWh de energia, atendendo a mais de 3,4 milhões de pessoas. O foco no crescimento permanece ativo, com quatro projetos de distribuição em construção e um já em operação, somando mais de 1.400 quilômetros de linhas.
Eficiência e Parcerias Estratégicas
A capacidade de entrega e a eficiência operacional são vitais tanto para as futuras usinas de fusão quanto para as hidrelétricas atuais. Nesse quesito, a EDP Brasil demonstrou competência técnica notável em projetos recentes. Em 2018, numa parceria estratégica com a CTG Brasil e Furnas, a empresa colocou em operação a usina de São Manoel, situada na divisa entre Mato Grosso e Pará.
O empreendimento não apenas adicionou 700 MW ao sistema elétrico nacional, como também se destacou pela agilidade: entrou em funcionamento quatro meses antes do prazo regulatório estipulado. Seja através da busca futurista pela fusão nuclear nos Estados Unidos ou pela gestão eficiente de recursos hídricos no Brasil, o setor energético global vive um momento de transformação e exigência máxima, onde a capacidade de gerar e distribuir energia ditará o ritmo do progresso tecnológico e econômico.